Prazer, Fernando Valente

Eu não sei o que me levou a escrever esse post, mas resolvi me apresentar e contar um pouco quem sou eu, profissionalmente falando. Por ser um conteúdo bem diferente dos que venho publicando, vou compreender se você passar batido e não chegar até o fim, mas também ficarei feliz em saber que você leu tudo e agora me conhece um pouco melhor, mesmo eu não sabendo quem é você :)

O “sobrinho”

Como quase todo programador, eu comecei minha carreira sendo o famoso “sobrinho”, mesmo sem ter noção de que era um na época. Se você não sabe, basicamente o sobrinho é o cara que “mexe com computador”, acha que sabe coisa para caramba e seus “tios” (mais conhecidos como clientes que querem pagar pouco) acreditam que você é o cara que pode resolver todos os seus problemas: impressora, telefone sem fio, celular, site, café etc.

Eu tinha uns 14 anos quando me encantei com a ideia de fazer um site, mas para isso eu precisava de um conhecimento que não tinha. Comecei a estudar sozinho pois queria colocar um site no ar o quanto antes. Só que existe um pequeno detalhe nessa história, estamos falando dos anos 90 e nessa época não existia a enorme quantidade de informações online como temos hoje. O que eu fiz? Descobri uma coisa fantástica! Eu podia ver o código fonte dos sites, copiar para a minha máquina o arquivo .html (que na época era .htm), mudar algumas coisas e ver o que quebrava e o que continuava funcionando. Foi assim, nessa brincadeira de tentativa e erro que criei o meu primeiro site! Um site pornô, que nunca foi para o ar por algumas questões óbvias, eu tinha 14 anos.

Aos 16 anos conheci o meu primeiro “tio” que, por falta de conhecimento ou por achar que estava falando certo, me chamava com orgulho de “vébe design”. Sim, ele falava “vébe”, afinal se Walter é com W e pronunciamos como se fosse V, por qual motivo web não pode ser “vébe” ? Foi com esse “tio”, que era um vizinho do prédio que eu morava, que ganhei o meu primeiro dinheiro fazendo site! Lembro até hoje dessa grana entrando… Foi uma sensação muito boa ganhar um dinheiro por conta do seu trabalho.

Design Gráfico

O tempo foi passando, eu fui melhorando minhas técnicas como sobrinho. Acho que cheguei até o nível “Sobrinho Sênior”! Não tinha para ninguém, chegava um projeto eu matava no peito e botava no ar em uma velocidade incrível, afinal e tinha vários códigos html prontos, era só mudar uma ou outra coisa e um novo site aparecia.

Junto com o desenvolvimento de sites surgiu a vontade de deixar a web mais bonita. Eu já havia terminado o segundo grau e queria fazer uma faculdade, porém eu não queria ser programador, isso era coisa de maluco e eu odiava com todas as minhas forças a matemática. Juntando o útil ao agradável, entrei na faculdade de Design Gráfico. Foi uma péssima escolha, mas só fui perceber isso quando estava perto de me formar. Eu cheguei a conclusão que eu gostava de Design, mas não me via fazendo isso todos os dias para o resto da vida.

Voltando ao desenvolvimento web

Formado, com o diploma na mão e sem saber o que fazer agora. Acho que essa é a realidade de muita gente. Nessa altura do campeonato eu não queria mais ser um sobrinho, queria ser valorizado de verdade e ganhar dinheiro de verdade. Estava de saco cheio dos “tios” pagando merreca… Cara, o que eu vou fazer?

Foi, em meio essa crise existencial, que um amigo me veio com uma proposta que me balançou bastante. Ele trabalhava como programador no Hospital Universitário da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e estava precisando de alguém que soubesse bem html e que fosse Design para dar uma cara ao sistema novo que estava sendo feito. Veja só! O sobrinho tinha esses atributos! Meti a cara e topei o trabalho, mesmo o salário sendo 1/3 do que eu ganhava na época como arquivista em um projeto da Petrobras.

Entrei, desempenhei o meu trabalho e me vi tendo que aprender PHP pois o amigo que havia me levado para lá tinha recebido uma proposta irrecusável para trabalhar em outro lugar. Estudar PHP e back-end? Isso era algo que eu gritava para todos que NUNCA faria, mas eu não tinha para onde correr e abandonar o barco não era uma opção. Novamente eu meti a cara, aprendi PHP e descobri que trabalhar com back-end era muito interessante! Lá, no Hospital da UERJ eu acabei ficando quase 4 anos e sai de um Design para Coordenador de Desenvolvimento com uma equipe de 5 programadores, quem diria.

Encontrei a luz, encontrei o Python

Lembra do amigo que me levou para o lado negro da força? Pois bem, novamente ele estava com uma oportunidade, mas agora pra trabalhar com Python. Eu já estava cansado do PHP por “N” motivos (os quais não vou listar para não criar inimigos). Nessa mesma época em que ele me chamou para trabalhar com Python eu estava lendo sobre a linguagem e vi novamente uma luz no fim do túnel. Larguei o cargo de Coordenador de Desenvolvimento e foi ser um desenvolvedor Jr Python.

Lembro que quando entrei na nova empresa meu novo chefe colocou 2 livros de Python na minha frente e falou “Você tem um mês para provar seu poder no campo de batalha”. Desafio aceito, e eu engoli os 2 livros nesse 1 mês e me apaixonei perdidamente pelo Python.

Os livros: Learning Python e Python Cookbook

Provei meu valor no campo de batalha, fiquei 1 ano nessa empresa e novamente meu amigo partiu para outros desafios, deixando comigo a responsabilidade de seguir com o trabalho que ele havia iniciado.

Lá usávamos o falecido Pylons (atual Pyramid), porém eu queria fazer alguma coisa com Django. Foi ai que, após uma certa insistência minha, o chefe aceitou que eu utilizasse o Django em um novo projeto interno (projeto esse que, infelizmente, foi engavetado depois da minha saída).

Tentei empreender e quebrei

Estava trabalhando com Python e Django, havia feito o curso Welcome To The Django, do amigo Henrique Bastos, e estava trabalhando em um lugar que me dava raiva! Sabe quando você faz uma entrevista de emprego e quem está de entrevistando conta 1000 histórias lindas sobre a empresa, você acredita e depois que está dentro descobre que nada do que foi falado era real? Pois bem, esse foi o caso.

Desabafos a parte… Eu estava em um momento da vida que precisava mudar. Eu tinha um dinheiro guardado, pouco mais tinha, peguei um empréstimo (a pior burrice que fiz na vida) e, com um planejamento de 30 minutos, chutei o balde e fui seguir com meu negócio.

O primeiro dia foi acordando, tomando café da manhã em casa com a esposa e sentando para trabalhar de cueca e sem camisa. Era tudo de bom! Eu tinha um produto na cabeça e agora era só colocar o plano em prática. O plano era ficar 6 meses nesse esquema.

Conclusão? Quebrei! E o motivo é óbvio! Só eu não via isso… Não fiz um planejamento adequado (ou melhor, não fiz planejamento algum), não validei minha idéia no mercado e agi pela emoção e por impulso. Nunca faça isso! Eu aprendi da pior maneira possível, mas aprendi.

De empreendedor a empregado

Eu lembro como se fosse ontem… Deitei na cama em uma quarta feita de tarde e chorei como uma criança. Era uma mistura de raiva, tristeza e sentimento de “eu sou um merda”. Meu plano deu errado, gastei o dinheiro no projeto, não lancei o produto e estava devendo a alma.

Depois de chorar uma tarde inteira, levantei, sentei no computador e fui procurar emprego. Mas, antes de quebrar eu estava em uma negociação para dar início em um projeto grande e muito bacana, mas a negociação havia parado e eu achava que não daria em nada. No dia seguinte, e após ter mandado alguns emails para amigos, recebi a confirmação do projeto que havia dado como perdido. Eu ficaria nesse projeto por 3 meses, mas acabei ficando 1 ano.

E agora José

Depois de sair desse projeto, entrei em uma empresa na qual eu me identifiquei muito e vesti a camisa de verdade. Estou alocado no desenvolvimento de um produto que, quando estiver pronto, ficará incrível.

O que virá depois? Eu não sei, mas ainda estou arrumando as coisas. Porém uma coisa eu estou certo. Eu aprendi muito, continuo aprendendo e evoluindo a cada dia. Quando paro e olho para o passado vejo como batalhei para chegar até aqui e como tenho que batalhar para alcançar meus novos objetivos.

Se você chegou até aqui, obrigado! :)

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