“O problema não é a saudade viver batendo, o problema sou eu viver apanhando.” Caio F. Abreu

Meu bem,

se eu pudesse agora te dar um conselho, eu te diria para ter cuidado com as saudades. Porque se me dessem a chance de escolher um lugar para estar, com certeza eu escolheria os seus braços no final desses dias de inverno ou desses dias de inferno.

Se eu pudesse te dizer alguma coisa, diria para sempre preferir os adeuses aos até logo. A verdade é que a saudade machuca bem mais do que qualquer separação. Saudades ficam angustiantes enquanto esperamos.

Se você puder, não se mude. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam desagradáveis quando mudamos de significado.

Saudades ficam insuportáveis aos domingos, e te deixarão sem vontade de encarar as segundas-feiras. Tente não sentir saudades do que não aconteceu. Aos 52, elas começam a ser intragáveis.

Se fosse só sentir saudade, mas é sempre algo mais. É uma dor que dói o peito. Que você saiba que saudade dói mais que ralar o joelho, que cortar o dedo, do que arrancar dente de leite ou o ciso. Dói mais que coração partido, do que ver alguém partindo. Porque saudade é o que fica dois minutos depois que você vai embora sem dizer quando volta.

Os olhos então são dois afluentes que desaguam sem qualquer cerimonia na boca.

Se eu pudesse, meu amor, eu escolheria não sentir tantas saudades suas.

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