Tudo outra vez

Uma carta de amor que você nunca vai receber numa homenagem ao meu sujeito de sorte preferido.

Enquanto os meninos cantam belchior naquele toque beatle i wanna hold your hand eu me distraio com o avião que passa no céu bem perto de antares será que o destino desse voo é o rio de janeiro e as praias de ipanema e as curvas da lapa e o fim de tarde mais lindo do mundo no arpoador será que alguém dentro dele atravessa ansiosamente o céu a 8000km/h correndo o risco de desmaiar de morrer de chorar de se perder isso tudo porque o amor o espera na porta da sala de desembarque porque no aeroporto santos drumont a saudade que carrega no peito sai instantemente pra fora em forma de um sorriso que faz esmirrar os olhos cheios de água e desembarca assim como eu queria fazer agora atravessar o céu rapido o bastante pra num instante de saudade eu chegar e dizer i wanna hold your hand pra eu chegar e dizer que eu vim te ver mais uma vez passeando pela orla de copacabana abrindo os braços em frente o cristo me abraçando apertado enquanto subimos até o Pão de Açúcar no bondinho e olhar tudo lá em baixo e sentir um frio na barriga que eu ainda não consigo explicar porquê mas acontece e não sei dizer se é pelo desejo de ficar por ali no céu bem no alto só com você enquanto o resto do mundo inteiro se acaba lá em baixo na guerra da siria na eleição do trump enquanto a coreia do norte e os estados unidos testam misseis no solo um do outro enquanto valor do dolar só cai enquanto policiais jogam bombas de efeito moral e balas de borracha e acertam cacetetes na cabeça de vagabundo ou se todas essas borboletas que aparecem no meu estômago são porquê você me abraça e eu só sinto o seu cheiro. Agora, eu só queria você me pedindo um poema bonito, enquanto eu traço a linha do nosso desespero esperando que alguma dessas orações subordinadas diminua a distância e eu tenha de volta os nossos sábados e aquelas tardes de domingo que matávamos abraçados na rede da sala de gozos com a tevê ligada baixa na décima setima vez que assistimos interestelar. É nessas horas que eu fico em silêncio e percebo que nada faz sentido sem nossas mãos dadas descendo a escadaria para pegar um acento vago no metrô que vai até o nosso lugar preferido no mundo, o nosso abraço. Sim, eu pegaria um avião só pra te beijar ainda hoje.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.