O encontro.

Perguntaram-me como eu a conheci.

Eu a conheci antes que ela soubesse da minha existência. Eu a vi pelo corredor da universidade, entrando numa sala de aula. Eu estava entrando na minha sala de projeto. Ela, caloura. Eu, veterana.

Os cabelos naquela época bem negros contrastando com a pele tão clara e os olhos azuis. Foi a primeira vez.

A segunda vez aconteceu um tempo depois, quando estava no ônibus e eu a vejo passar na catraca. A mesma moça. Inconfundível. Mas como eu chegaria a saber seu nome se coragem me faltava?

Pensei: por que então não aproveitar redes sociais e procura-la? Agora imaginem: como achar alguém que você não faz ideia do nome?

Se o universo estava conspirando, talvez, mas eu “a achei”. Era amiga de uma amiga numa rede social. Como eu soube que aquele perfil em que nem a foto dela aparecia, era ela? Não sei. Acessei o perfil e olhei as fotos. Os mesmos olhos.

Adicionei. Logo ela aceitou.

Passaram dias. Ela só estava lá. E eu a observava. Até que ela veio falar. Puxou assunto e como tínhamos assunto em comum!

Anos depois ela perguntou o que teria sido se ela não tivesse puxado assunto comigo. E eu falei “não teria sido”. E apesar de tudo, ainda bem que foi.

Tudo me fez crescer. E até hoje ela se diz impressionada por eu a ter achado sem saber nada dela.

Então, quando é para acontecer, sempre acontece.