Anormal…
O meu bebé grande dorme serenamente a meu lado. Adormeceu tão tranquilamente, em tempo recorde e, sem mil pedidos de água e de leite.
E eu, sinto-me pesada, a rebentar de angústia.
Depois de birras atrás de birras, esgotou a minha paciência. Não lhe bati. Mas gritei bem alto, bati o pé, fiz cara feia, fi-lo acabar a birra a soluçar. Fi-lo acabar a birra a suplicar pelo meu colo, pelo meu abraço, pelo meu conforto.
Mas porquê eu?! Eu estive mal. Eu errei também. Eu não deveria ser o primeiro conforto dele. Serei a única a sentir que não mereço aquela necessidade dele por mim, naquele momento?!
Carrego em mim culpa. Culpa de ter errado com o meu filho, de ter excedido a minha sanidade mental ao lidar com a birra dele. Birra essa que é normal na idade dele!

Talvez eu não seja normal. Sou eu que tenho que aprender a lidar também com ele. Tenho que aprender a respeitar o espaço e as frustrações dele. Tenho de aprender a abraçá-lo quando ele erra. Afinal de contas, foi isso que ele fez comigo. Eu errei e ele não me afastou; ele abraçou-me.
E eu, continuo aqui, a vê-lo dormir, carregada de culpa, da anormalidade que tenho em mim enquanto adulta que tem tudo a aprender.
Amanhã será um novo dia. Um dia em que espero não fraquejar e apenas abraçar.
Uma beijoca,
A.D.
