Anormal…

Não são favas contadas
Nov 1 · 2 min read

O meu bebé grande dorme serenamente a meu lado. Adormeceu tão tranquilamente, em tempo recorde e, sem mil pedidos de água e de leite.
E eu, sinto-me pesada, a rebentar de angústia.

Depois de birras atrás de birras, esgotou a minha paciência. Não lhe bati. Mas gritei bem alto, bati o pé, fiz cara feia, fi-lo acabar a birra a soluçar. Fi-lo acabar a birra a suplicar pelo meu colo, pelo meu abraço, pelo meu conforto.
Mas porquê eu?! Eu estive mal. Eu errei também. Eu não deveria ser o primeiro conforto dele. Serei a única a sentir que não mereço aquela necessidade dele por mim, naquele momento?!

Carrego em mim culpa. Culpa de ter errado com o meu filho, de ter excedido a minha sanidade mental ao lidar com a birra dele. Birra essa que é normal na idade dele!

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Talvez eu não seja normal. Sou eu que tenho que aprender a lidar também com ele. Tenho que aprender a respeitar o espaço e as frustrações dele. Tenho de aprender a abraçá-lo quando ele erra. Afinal de contas, foi isso que ele fez comigo. Eu errei e ele não me afastou; ele abraçou-me.

E eu, continuo aqui, a vê-lo dormir, carregada de culpa, da anormalidade que tenho em mim enquanto adulta que tem tudo a aprender.

Amanhã será um novo dia. Um dia em que espero não fraquejar e apenas abraçar.

Uma beijoca,

A.D.

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