freeway poetry /prosa 22


Tomorrow is today:

e é então que se vê o passar do silêncio

morro da sé e de nomenclatura

de destinos (e Shelly Kagan — professor de Yale disse

“(…) do we have immaterial souls, something that might survive the death of our body, and if not, what does that imply about the nature of death, what kind of an event is death, what is it for me to survive, what would it mean for me to survive my death, what does it mean for me to survive tonight? You know somebody is going to be here lecturing to the class on Thursday, presumably that will be me, what is it for that person who is there on Thursday to be the same person who is sitting here lecturing to you today? (…) — what is it for that person who is there on Thursday to be the same person who is sitting here lecturing to you today?

what is it for that person who is there on Thursday to be the same person who is sitting here lecturing to you today?


Tradução: o meu olhar tornou-se liso como o vidro sirvo para que as coisas se vejam

uma temporada em São Bento e dói-me a cabeça um pouco menos

vi um careca a gritar do alto da Torre dos Clérigos

“Não vou foder com ninguém com quem já não tenha fodido antes!”

E pensei algo estranho é a alma sobre a terra

e respondi-lhe de forma sincera

que nos cabe a todos e que nunca estive pior

enquanto fazia figas com a mão direita atrás das costas

do caminho à fala — Die Sprache spricht — um abismo

some time ago I arrived at the bumbling epiphany that what we call “mau-olhado” is not a direct, targeted strike but a preemptive, generalistic action, a (scorched-earth) multitude of vectors from where look *may* come, relying of course on the total impossibility of prediction or maneuver. que o chamado mau olhado é não um ataque directo e apontado mas uma ação preemptiva e generalizada. que o chamado mau olhado é não um ataque directo e apontado mas uma ação preemptiva e generalizada — ou como se diz de um navio de guerra, pronta para tudo.

formaliza-se assim: a primeira coisa que fiz ao acordar foi ligar a internet e por momentos de puro pânico entreti a possibilidade do sinal dos dados móveis estar a ser impedido por uma nuvem de ódio tão denso que bloqueia radiações


costumava ter em posse um relato detalhado de

um livro dos mortos na garagem

o R. bolsou sem reflexo faríngeo

vi uma míuda a torcer a cabeça toda para me mandar calar e ainda por cima cheirei enxofre a noite toda

e o resto não importa: A noite muda a imagem e o sentido.

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