Calma

Você me disse que queria ir com calma e eu concordei. Eu, euzinha, eu mesma, balancei a cabeça afirmativamente e não fui obrigada, paga ou pressionada. Não fiz sem pensar ou sem querer. Eu e meu coração acelerado queremos ir com calma.

Eu quero me desligar da tomada, ir a passos de formiguinha, aproveitar uma manhã de preguiça e não te colocar dentro de um script, com falas determinadas. Quero jogar fora o calendário, o relógio, minha ansiedade e meus medos.

Respirar fundo, olhar as luzes da cidade pela sua varanda, te abraçar no parque, segurar sua mão sem lembrar da hora de soltar e respirar de novo, tranquila. Experimentar a liberdade e o presente.

Aproveitar. O tempo, as vontades, o que há disponível, o que surgir na última hora, a espontaneidade, o hoje, você. Por mim.

Por que ser futuro cansa, machuca e não me satisfaz. Por que nunca era o suficiente. Mas dessa vez é. Viver isso tudo é o suficiente. É o tal de “na hora certa”, que os filmes sempre falam. E você sabe que para aproveitar bem um filme, a gente tem que ver com calma.