É claro que o Sport é zebra!

Líder do Campeonato Brasileiro por três rodadas nessa temporada (incluindo a atual), o Sport Club do Recife é uma grande zebra. Como era o Atlético Paranaense quando o fez por quatro ocasiões, como seria se fosse até mesmo o Cruzeiro, atual bicampeão nacional.

Isso pode deixar os torcedores pernambucanos revoltados, mas o que soa descaso é na verdade a constatação de uma dura realidade. Afinal o Sport recebe quase 1/5 da cota que recebem os clubes que deveriam ser os favoritos em qualquer edição do Brasileirão enquanto isso ocorrer: Flamengo e Corinthians. Mais: os R$ 110 milhões pagos a cada um da dupla de maior torcida do Brasil quase equivalem a soma dos valores pagos ao trio Sport-Atlético-Cruzeiro (R$ 27 mi para os dois primeiros e R$ 66 para os celestes, que andaram sobrando apenas com o pouco a mais de força que têm).

O Sport contraria a lógica. Ele não tem o amparo financeiro por conta da equivocada distribuição de cotas do Brasileirão (essa discussão está melhor ampliada aqui), está longe do melhor mercado publicitário do País e tem mais um agravante. É o único clube do Nordeste no campeonato nacional. Enquanto todos os times terão de ir ao àquela região apenas uma vez, o Leão vai viajar pelo menos 2 mil quilômetros a cada rodada longe de Recife.

Significa dizer que o Sport tem menos tempo de treinamento que outros times, que jogará sem apoio da torcida mais vezes que outras equipes. Vejamos por exemplo os paulistas. São cinco na competição, todos alocados em sedes distantes num raio de 100 km. O São Paulo, concorrente na ponta da tabela, não precisa viajar para pegar Palmeiras e Corinthians (e vice-versa) e anda no máximo esses 100 km para Campinas ou Santos enfrentar os times da casa.

A Ponte Preta, que também ganha pouco em cotas de TV, poderá contar com o incentivo de seus torcedores mais vezes que o Sport. Viagens curtas para São Paulo e Santos, talvez 600 km para Curitiba ou Rio. Nada absurdo. Os times que têm torcidas nacionais sempre jogam com apoio de seus fãs, o que faz dizer que, mesmo em Recife com maioria absoluta como de praxe, os rubro-negros pernambucanos vão ter uma minoria barulhenta contra si quando enfrentarem essas equipes.

É claro que quando ouvimos coisas como “cavalo paraguaio” (pior se fosse brasileiro…) ou “zebra”, também ouvimos uma boa dose de ignorância e preconceito. A análise técnica muitas vezes passa longe. A questão central não é a explicada acima e sim um certo desdém, uma desconfiança que irá perdurar até que os adversários mais poderosos forem esbarrando na campanha dos pernambucanos, se acontecer. Do contrário, o que mais se achará por aí é o “eu avisei”.

Mas é isso que torna a campanha do Sport ainda mais interessante. É saber que a despeito de todas as condições adversas a equipe está na ponta da tabela, invicta. É cedo ainda para qualquer conclusão, menos uma: zebra, o Sport é, por que assim está desenhado o sistema do futebol nacional. E isso deixa atônito quem constrói o Brasileirão sem levar em consideração o que acontece longe do centro econômico do País.

Like what you read? Give Napoleão de Almeida a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.