Lunáticos ou Lulistas?
Eu já escrevi alguns textos muito emocionada sobre o Lula e é incrível que eu não consiga não chorar falando dele. Por exemplo, eu mal comecei esse texto e já estou chorando.
Esse ano quando fui explicar para um amigo muito querido o que tinha sido minha foto com o Lula eu cheguei a soluçar no corredor contando e os áudios saíram quase inaudíveis.
“Ah, Nara, mas você é assim por causa da sua mãe.” Minha mãe tem parte em quase tudo que eu sou mas meu amor por esse homem não começou na minha mãe. Antes de Lula ser assunto comum lá em casa, ou seja, muito antes da filiação da minha mãe ao Partido dos Trabalhadores, algo nesse homem me prendia. Nessa época eu ainda frequentava quase todos os dias a casa da minha vó onde a TV geralmente está ligada na Globo e eles assinam Veja. Ou seja, eu tinha o Lula como o mal do Brasil.
Mas eu não entendia porque com tantos lugares tão potentes, como são as nossas mídias, atacando esse homem e dizendo todas aquelas coisas, ainda existia muito amor e brilho nos olhos em quem gostava dele. Como gostar dele?
Minha mãe não precisou me dizer nada. Mas meu pai, há tempos, dizia que eu veria esse homem nos livros de história dos meus filhos como um dos maiores presidentes do Brasil e quiçá do mundo.
Mas como meu pai e tantas outras pessoas nutriam tanto amor pela figura nojenta que a mídia pregava todo santo dia? Seriam lunáticos? Está em todos os lugares, esse homem é o maior corrupto do país.
Encontrei então, e essa é a parte que me emociona e não sei como vou conseguir escrever se meus olhos não estão permitindo, a diferença entre os lunáticos e lulistas.
Nesse tempo eu não estava ligada em mídia manipuladora, para mim existia um compromisso real com a verdade e eu não precisaria desconfiar dos jornais. Mas era pisar na casa da minha vizinha (diga-se de passagem eu tenho a melhor vizinha de todos os tempos) e ouvir algumas conversas sobre “quando eu saí do Maranhão não tinha luz, saneamento básico, era um lugar abandonado” e depois disso ouvir que com o Lula na presidência ela pode voltar a terra dela e ver tudo isso lá. Por conta de um olhar, alguém que resolveu notar aquela então terra largada.
Isso mexeu muito comigo, eu ouvi tantos outros relatos como eu vivi a saída do Brasil do mapa da fome. Mas confesso que mesmo nova aquele relato havia mexido comigo e talvez por amor a minha vizinha eu fiquei eternamente grata ao homem que levou todas essas coisas básicas e deu condição de vida a família dela, amigos dela e depois eu fui descobrir que para todo um povo.
A partir daí, embora não desconfiasse da mídia, não aceitava Lula como um homem mau. Pensava “Talvez não saibam do que ele fez pela minha vizinha”.
Muito se passou e acabei pescando qual era do jornalismo no Brasil. Quando estudante de rede federal vi o golpe e me assustei. Não entendi e não conseguia acreditar, era surreal todas aquelas coisas, pensei que estivesse fora do meu alcance entender.
Eu que sempre participei de projetos de pesquisas no CEFET vi meu projeto murchando porque não tínhamos mais dinheiro para pagar os bolsistas e sair para campo, o que era essencial no nosso projeto.
Vi que minha mãe, professora do CEFET, já não ia mais em tantos congressos e percebi o desespero dela ao notar o que estava acontecendo com o lugar que ela amava trabalhar. Talvez tenha sido aí que um novo caminho se abriu para ela, era impossível estar lá dentro e não querer gritar para o mundo que aquele Colégio, conhecido por sua excelência, estava definhando.
Então, depois de muito tempo gritando sem ninguém ouvir, alguém notou o desespero da minha mãe e resolveu ligar para dar um abraço mesmo que distante nela. E esse alguém foi o Lula. Aí eu fiquei bolada. Mas que homem é esse ou que mulher é a minha mãe? Eu vi minha mãe chorando, sem saber como agradecer a esse homem. Eu quis agradecer também “obrigada por ter dado esperança a minha mãe” porque via ela exausta sem saber o que fazer e para onde ir.
Mas bastou essa ligação para vir o estalo de que ela precisava se filiar ao PT e já decidida teve a audácia de pedir para se encontrar com o Lula, segundo ela era necessário a bênção. Então fomos nós todos lá de casa ver o que até então era o maior corrupto do país pelos grandes jornais e o herói do meu pai e da minha vizinha.
É claro que eu teria alguns pés atrás para ouvir esse homem, a cara dele está em algumas muitas capas de revista e sempre dizendo coisas terríveis ao seu respeito. Mas foi a gente chegar lá que ele olhou para a Lucimar, que no caso no meio de todos os brancos amarelados que éramos nós era a única negra, e perguntou de onde ela era. Ela disse “Maranhão” e ele, com toda a atenção que um ser humano pode dar a outro perguntou “Quando você saiu de lá, como estava?” e então eu ouvi o mesmo relato da minha vizinha, ali a emoção já me vinha e com alguém dando atenção a Lucimar, que eu via ser tão invisibilizada diariamente e que as vezes mal recebia “bom dia” de algumas pessoas que chegavam lá em casa, ver que alguém teve carinho por ela e criou empatia instantaneamente fez com que eu entendesse o diferencial desse homem.
Ele queria dar voz as pessoas que, apesar de terem voz, não tinham tempo para falar porque estavam mais preocupadas em sobreviver.
Ouvimos todos o relato de Lucimar. Ouvimos sobre miséria, fome, não ter luz, não ter nada. Ele perguntou se alguma vez ela já tinha voltado ao Maranhão. Foi aí que Lucimar sorriu (e ela não costuma sorrir com facilidade). Mais uma vez o relato que minha vizinha tinha contado e agora com a felicidade de Lucimar e Lula que pareciam aliviados com o final daquela história, “então a mudança chegou na sua família” era tudo que ele queria ouvir.
Como não se emocionar com a sensibilidade dele? Que depois de se aliviar com a história da Lucimar virou preocupado para minha mãe perguntando qual era a situação do Colégio onde ela trabalhava. Minha mãe passou um tempo contando o quanto o CEFET estava piorando e eu vi Lula se entristecer conforme minha mãe falava. Ali eu já estava chorando e não conseguia parar. Eu vi a preocupação real de um homem com o Brasil. Eu vi ele vibrar e se acinzentar com esses relatos. Eu vi ele olhando para minha mãe e com as palavras dele dizendo que tinha jeito. Aquele abraço antes distante se tornou um abraço real.
Algum tempo depois Lula estava em Madureira, no Império Serrano, onde minha mãe se filiaria ao PT com a bênção que precisava.
Minha vizinha estava lá. Tia Jurema o nome dela. Sorrisos e lágrimas. Era de fato muita emoção. Minha mãe conseguiu tirar uma foto do momento em que Lula olhou e tocou no rosto de minha vizinha. Na foto dá para ver a reciprocidade de amor no olhar dos dois.
E agora eu vou cortar essa história para o dia que prenderam o Lula.
Eu vou cortar porque eu ouvia lá de casa minha vizinha chorando e eu não conseguia nem olhar para TV.
Eu ouvia minha vizinha chorando e aquilo na minha cabeça vinha com o contraste que era ela quando estava diante de Lula.
Nesse dia eu vi o inferno. Eu não vi só a minha vizinha chorando. Eu vi pessoas ao meu redor extremamente abaladas e vi gente comemorando. Eu quis agredir qualquer um que ria enquanto eu ouvia minha vizinha chorar. Enquanto eu chorava.
Não há beleza e nem graça na prisão de qualquer homem. É uma realidade muita alterada essa dessa cultura maluca punitivista. Mas isso já é outro texto. Parece que queremos nos isentar do nosso dever e compromisso com a sociedade. Quando um homem é preso, e não importa quem ele seja, quando um homem comete um crime, é falha nossa. Não tem como rir de prisão e morte de quem for, isso é só sintoma de uma sociedade doente.
O ponto não é esse, o ponto é que prenderam o Lula sem esgotar todos os recursos de defesa que ele tinha e isso não me cabe explicar porque eu mesma não vou saber, mas tudo bem, tem um livro com vários juízes, advogados, pessoas do meio mesmo, explicando o porquê dessa prisão de Lula não ter pé nem cabeça. Os honestos, seja de direita ou de esquerda, sabem que Lula é preso político.
O que leva um homem preso, que a mídia vive atacando, liderar as pesquisas de voto?
O que leva todas essas pessoas a amarem a ponto de chorar diante desse homem, a ponto de gritarem de dor com a sua prisão?
O que leva todo esse envolvimento com um político?
Eu não conheço nenhum político no Brasil que mexa com essas emoções e de tantas pessoas. Dizem que o povo é ignorante, votam no Lula porque não sabem votar, porque não tiveram estudo. A verdade: as pessoas mais inteligentes que eu conheço votam no Lula. Mais que isso, o partido que fez a diferença em termos de inclusão e educação foi o PT. Só ver o legado de escolas técnicas, institutos federais, universidades criadas durante seu governo. Contra fatos não há argumentos.
Quem viu chegar água e luz, quem passou a ter acesso a educação, quem deixou de ter fome, essas pessoas são muitas e elas não esquecem. Por isso podem fantasiar o Lula de diabo, estaremos com ele. As mudanças foram reais.
Não acho que por isso o PT e o Lula sejam perfeitos, mas só por isso eles tem minha gratidão e apoio.
Hoje é dia de tornar oficial a candidatura do meu presidente. Amigos, conhecidos, estão indo a Brasília participar desse momento. Eu queria estar lá. Eu vou passar o dia inteiro muito emocionada sabendo o tantão de gente que esse homem, mesmo preso, consegue movimentar. Pessoas que por amor a ele e por acreditar no que ele fez não desistiram do Brasil e nem da democracia. Que estão lá garantindo que seu nome entre.
Essa é a diferença dos lunáticos e dos lulistas. Os lunáticos vivem em um mundo de fantasia onde prender um homem é a solução, onde não é impossível enxergar além do seu umbigo e onde o mal está em um partido só. Os lunáticos são aqueles cegos de ódio, psicopatas que desejam a morte e riem com o sofrimento de um povo.
Os lulista são aqueles que não conseguem esquecer tudo o que foi feito, os que pela primeira vez foram enxergados, os que hoje em dia não passam mais fome. Os lulistas são aqueles que não precisaram de TV para ditar a opinião deles, que viram o espetáculo da mudança chegar e que sabem que isso tem mais força que qualquer calúnia dita. Sou eu, que diante do relato de tantas pessoas não posso me fechar, que vi o Cefet ir do céu ao inferno, que pude ver a eficiência das cotas, que ouvi minha vizinha chorar.
Talvez a maior diferença dos lunáticos para os lulistas seja a esperança que vive em nós e é por isso que hoje estamos todos com o nosso presidente. Por isso que hoje Brasília será vermelha. Porque, nós, lulistas, temos a memória. Guardamos aqui dentro a ideia que Lula se tornou e cada um de nós luta para levar em frente o sonho que esse homem mostrou não ser impossível. Agora estamos lá, não desistindo da democracia, não desistindo de Lula porque foi ele que nos ensinou a ter esperança e sonhar quando não se tínhamos nada.
Eu me emociono com o Lula porque eu vejo o poder de uma existência nele.
#Lula2018
