Súplica da mente ao tempo e ao presente

Há as memórias que só se tornaram tais pois optei por deixar de vivê-las. Há acaso se houve escolha? Vivo pensando aonde eu poderia estar ou aonde posso chegar. De fato vivo ou estou nesse limiar do que sou e do que gostaria de ser. E estagnada é estado temporário ou é a barreira que cresce na mente e me oferece duas vertentes: o que já fui e as possibilidades de para onde irei. E o presente é o pesadelo em que vejo os minutos passando mas não interessa pensar sobre eles. Minha noção de tempo são meses, anos e não há perspectiva dos mesmos.

Não há como adiantar o tempo e ele não me levaria a lugar algum pois o tempo há de ser nada se não fizermos algo com e por ele. E o presente há de ser nada se, na mente, o tempo está a frente dele. Não encontro algum sentido cronológico. Se os segundos são eternidades quando meu peito dói e a falta de ar acomete na ansiedade. Os mesmo segundos são efêmeros entre o pensamento calmo e o fim do meu equilíbrio falso. E as dez horas noturnas de lá para cá. Lá eu queria lar. Cá eu quero lá. Mas a mente é a prisão e em qualquer lugar eu desejaria estar em outro. E não há indecisão. É a busca errônea pelo pertencimento.

Mas o tempo presente na mente é a solução. A parte controversa é a dificuldade de parar o tempo e — ei, espere o presente que não controlo, contudo também sei que não posso ao menos te pausar.

A mente é a única esperança (vã?). Peço a gentileza, quase súplica, pois sei das nossas particularidades e são dolorosas. Mas o que fazer com essa barreira que nos separam do presente. Me restringir ao passado é atraso e ao futuro é inútil; nada sabemos.