Perdão

Nara Michelly
Jul 27, 2017 · 1 min read
Polly Nor

“Cala-te, Louca!”

Mirou seu corpo

E atirou.

Em cheio, em série

A queima roupa, bruto

Fez do rótulo sua pele

Do seu sexo, produto

De todos os goles amargos

Que descem pela garganta

Até o inferno

O pior é a voz

Não pronunciada aos berros

Quando fala, sua fala é balela

É interrompid

Interrom

Interr

Enterrada

Ao selar em sua boca a mordaça

A cara a tapa

Valor não tem

Seu traje é permissão

Os joelhos gastos, dilacerados

Ainda pede a Deus

Perdão

Perdão

Perdão

- Cala-te, louca!

- Não tô afim.

A voz, ainda que rouca, dirá: Sou dona de mim

    Nara Michelly

    Written by

    Estudante de Jornalismo, aspirante a poeta e fotógrafa.

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