Perdão
Jul 27, 2017 · 1 min read

“Cala-te, Louca!”
Mirou seu corpo
E atirou.
Em cheio, em série
A queima roupa, bruto
Fez do rótulo sua pele
Do seu sexo, produto
De todos os goles amargos
Que descem pela garganta
Até o inferno
O pior é a voz
Não pronunciada aos berros
Quando fala, sua fala é balela
É interrompid
Interrom
Interr
Enterrada
Ao selar em sua boca a mordaça
A cara a tapa
Valor não tem
Seu traje é permissão
Os joelhos gastos, dilacerados
Ainda pede a Deus
Perdão
Perdão
Perdão
- Cala-te, louca!
- Não tô afim.
A voz, ainda que rouca, dirá: Sou dona de mim
