As escolhas nossas de cada dia

A gente é o que a gente escolhe. Tentamos justificar nossas escolhas transferindo a responsabilidade, passando a bola, mas no final das contas, é sempre a gente com a gente mesmo. “Eu fiz isso porque você…” “Eu escolhi ir lá por que aqui…” E assim vai. Talvez seja porque seja mais fácil dividir a responsabilidade, talvez porque seja menos duro perceber que bom ou ruim a escolha é sempre nossa ou talvez por covardia mesmo. Mas no final, a escolha não tem outro dono senão nós mesmos e esta verdade não dá para terceirizar. Aprendi, a duras penas, que quando a gente consegue se responsabilizar pelo que escolhemos (e aí obviamente pelo que perdemos com esta escolha) a vida acaba nos compensando de uma forma ou de outra pela nossa coragem de assumir.

Chegar ao final de mais um ano, sempre nos traz ao balanço dos últimos 365 dias. Quando não pensamos no que escolhemos durante o ano, pensamos naquilo que deixamos de escolher. E quando percebemos, o resultado final do ano é sempre a soma de nossas escolhas. Certas ou erradas, corajosas ou covardes, bonitas ou feias, louváveis ou cheias de vergonha. Fomos nós que escolhemos ir ou ficar. Fomos nós que escolhemos retornar aquele telefonema ou deixar para o outro dia que nunca chegou. As desculpas ou a mágoa. O grito ou o silêncio. A risada ou o constrangimento. A saída ou o filme debaixo do edredom no domingo à tarde. A má resposta ou o ouvido. O carro ou a bicicleta. A permanência no trabalho ou a saída. A família ou os amigos. Os amigos ou os novos colegas. O começo, a permanência ou o fim de uma relação. A consideração recíproca, o convite feito, o olhar carinhoso ou a indiferença. A roupa nova ou a antiga. A inércia ou o movimento. O não querer ficar próximo ou os longos e demorados encontros. A conversa cortada pela metade ou a tenção dispensada. A proximidade ou o afastamento. Escolhas. Elas foram nossas. Quer a gente queira ou não, quer a gente goste mais ou menos, quer a gente concorde ou se arrependa. Não dá para terceirizar esta responsabilidade. Não foi porque o outro. Foi porque eu. Eu quis ou não quis, eu fui ou fiquei, eu falei ou calei. As opiniões podem influenciar nossas decisões, as circunstâncias podem nos fazer pender para um lado que para outro, mas no final, naquela hora decisiva, somos nós. Não há ninguém, não há motivo, não há condição que justifique o que nós escolhemos a não ser a nossa decisão em querer isso ou aquilo. Pronto. Mais difícil, por que quando podemos nos eximir da responsabilidade fica mais cômodo. Mas fica menos bonito, minha gente! Simples assim, apesar de parecer complexo. Este ano praticamente acabou. Faltam poucos dias para que uma nova etapa, um novo calendário e novas possibilidades de escolhas se abram. E tudo está nas nossas mãos. Se foi ótimo ou ruim, este que está acabando pode ser lamentado, comemorado, celebrado, refletido, aproveitado naquele tempo que resta, considerado, porém conscientes de nossa responsabilidade naquilo que nos aconteceu.

Daqui há alguns dias, são novas escolhas. Novo momento. Novo calendário e novas responsabilidades em escolher. Sem terceirizar, sem passar o bastão da responsabilidade mas tomando para nós mesmos o grande, embora por vezes assustador, comando da nossa vida nesse mundo de perspectivas que já está batendo na porta.

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