Mas é a gente com a gente mesmo

Com o tempo a gente vai percebendo o papel que as pessoas ocupam na nossa vida e o tanto que elas influenciam ou não no nosso comportamento. E às vezes percebo que é preciso tentar, diariamente, fazer o exercício de nos colocarmos como donos dos nossos sentimentos, ações e reações.

Eu sempre bato na tecla de que aquilo que o outro faz com a gente é problema dele, o que a gente faz com isso e com o outro é que é problema nosso. Buscar o bem, entender as pessoas, levar a vida com menos reservas e mais segurança e apreço por nós mesmos. É claro que não é fácil, mas a gente precisa ser uma sentinela dos nossos pensamentos e sentimentos diários. Por exemplo, se eu tenho consciência que não fiz nada de mal a determinada pessoa eu não posso estar preocupada/ chateada/puta porque ela passou por mim com cara de poucos amigos. Ela pode estar com a cara fechada porque teve um dia ruim, porque alguém falou algo que não queria ouvir, porque está triste e essas coisas podem não ter relação alguma comigo. A cara está fechada e pronto. E ela tem direito de estar.

A roupa, o batom, o sapato, a cor, a orientação sexual, a posição social, o cabelo do outro realmente tem importância na nossa vida? Se tiverem é hora de começarmos a pensar mais a respeito das nossas prioridades de pensamento e ocupações. Se não tiverem, então não podem nos incomodar se a vida do outro for diferente ou estranha ao nosso gosto e nossa forma de pensar, certo? A pessoa tá feliz, tá curtindo, tá achando legal? Então pronto. Sigamos sem julgamentos. Sigamos sem piadas, sem comentários e sem risos malditos.

O problema físico, a estética diferente do que você julga bonito, a boca sem dente, o olho torto, a barriga grande, a perna mais curta, não podem me afetar de forma que eu faça chacota, ria ou simplesmente comente. Se a pessoa for feliz assim, a ela meu maior respeito. Se aparentemente não estiver feliz, ela pode ser triste por ser assim, então a ela, ainda maior o meu maior respeito.

O outro tem uma opinião contrária à nossa. Qual a necessidade de afrontá-lo, provar que a sua opinião é a correta, que você está certo e que ela ou o mundo estão errados? Você acredita na sua e tem convicção e embasamento das suas ideias? As pessoas devem e podem ter opiniões e pensamentos diferentes dos nossos. A nós, cabe ouvir, respeitar e quiçá ter uma conversa calma e saudável a respeito da nossa opinião sobre o assunto. Mas que fique bem claro: falamos sobre a nossa opinião e a pessoa sobre a dela, cada um com a sua sem isso se transformar em problema. Se a opinião do outro for totalmente contra a sua e inclusive à sua forma de ver a vida, você pode, por exemplo, escolher não conviver mais com ele. Vai você conviver com quem comunga dos seus princípios e ele com os dele. Se não tiver essa opção (porque às vezes você não tem como não conviver com esse ou aquele por causa do trabalho, da escola ou de outros compromissos), você precisa respeitá-lo sem render muita prosa.

O que eu quero dizer com tudo isso? É que com o passar do tempo a gente vai percebendo que nesse mundo tem espaço para todos. Que é preciso mais tolerância e uma vigília diária dos nossos pensamentos. A intolerância vem acompanhada de pequenas atitudes que às vezes julgamos inofensivas. O que para nós pode parecer um julgamento inofensivo, para o outro pode ser um abismo. A gente nunca sabe o que ocupa a mente do outro e por onde passaram seus pés até chegar onde está. No final da história, é a gente com a gente mesmo, sem deixar que o outro influencie e a gente coloque nele a responsabilidade das nossas reações. Nossas reações são e serão sempre de nossa inteira responsabilidade. Porque? Por que elas são nossas.

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