Pelo bebê que não nasceu

Por G. K. Chesterton

“Memorial for Unborn Children” (Memorial pela criança não-nascida) de Martin Hudáček.

Se as árvores fossem altas e a grama baixa,
como em um conto maluco,
se aqui e ali houvesse um mar azul
que se estendesse para além do horizonte,

se um fogo constante pendesse no ar
para me aquecer o dia todo,
se cabelos bem verdes crescessem nas colinas,
eu sei o que faria.

Na escuridão eu vivo, sonhando que existem
grandes olhos, amáveis ou frios,
e ruas tortuosas, e portas caladas,
e homens vivendo por trás delas.

Que venham as tempestades: melhor é viver
em meio a luta e lágrimas
que todas as eras que tenho
governado os impérios da noite.

Penso que, se me deixassem
entrar e ficar no mundo,
eu seria bom durante o dia todo
que passasse nesta terra encantada.

Eles não ouviriam de mim uma só palavra,
de egoísmo ou de desdém,
se eu apenas tivesse encontrado a porta,
se eu apenas tivesse nascido.


Tradução de André Venâncio (encontrada em ‘A mente de Cristo: Conversão e Cosmovisão Cristã’ de Norma Braga, Vida Nova, 2012, pág. 215–216).

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