Coisas quebram, assim como pessoas

27–01–2014

O vidro cai no chão, e por menor que seja o pedaço que pegam com a mão, continua machucando. É assim que eu me sinto agora. Cada pequeno pedaço que restou, cada parte do que eu sou, dói, mas não em mim, nos outros. Encontro aos poucos todos os pedaços de mim, tão pequenos, tão simplesmente cortantes e prontos para machucar. Para cortar. Sou um pequeno nada, dentro de uma redoma de vidro quebrada, esperando por alguém para me salvar. Eu deixo as coisas caírem tão facilmente; me deixei cair. Me deixei levar pela loucura de ser alguém. Me deixei cair. Me deixei quebrar. E se alguém tem alguma culpa nisso, esse alguém sou eu. Sou a única que consegue fazer de mim um pequeno nada, dentro de uma redoma de vidro quebrada, que não está pronta para se recompor. Me segurem com luvas, me manuseiem com cuidado, deixem meu corpo de lado, levem o que restou da alma. Acalma. O espanto de ver algo se quebrando é tão grande assim? Sinto como se não fosse algo a ser visto ou ouvido, sinto como se fosse somente algo que quebrou. Sou algo quebrado que deixou de fazer parte de um mundo consertado. Me manuseie com cuidado, deixe meu corpo de lado, leve o que restou. Não suporto ser algo quebrado. Não suporto ser o que eu sou. Me pegue nas mãos, sente como dói, corrói, destrói. Me pegue nas mãos, eu posso mostrar dentro de você. Eu quero agora fazer você sentir isso em você. Mas coisas quebradas não deveriam escrever.

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era mais ou menos assim que eu escrevia há três anos atrás. exatamente três anos.

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