Extra-terrestre

Uma vez um alienígena pousou no quintal da minha casa, quando eu estava observando as estrelas.

Ele saiu da nave falando coisas esquisitas, até ele colocar um aparelho mais esquisito ainda que me escaneou quando chegou perto, e então ele magicamente começou a falar Português. Ok, na verdade era o aparelho que estava falando, meio que traduzindo com uma voz robótica masculina que era quase engraçada. Ele disse:

“Olá, terráquea. Vim para observar a espécie humana em seu dia-a-dia humano. Desejo fazer relatórios e observações importantes para meu povo, residente do planeta Ômega na galáxia ao lado. Viajei muito e quero usá-la. Se não aceitar, desintegrarei sua forma humana a qual não sobrará nem um átomo, e todos na Terra esquecerão seu nome.”

Não teve como não aceitar – ele era um pouco amedrontador. Não era verde nem tinha olhos grandes, só parecia uma forma humana com pele flácida e branca, sem olhos e com duas bocas. Além do mais, estava pelado (apenas com o aparelho na barriga e um cinto cheio de bugigangas na cintura) e era bem menor do que eu.

Ele então começou a me acompanhar, com sua forma invisível e voadora, que fazia o favor de sempre me assustar me perguntando coisas.

Ele começou quando acordei no dia seguinte.

“Os humanos precisam de descanso?”

Sim, eles precisam. Na verdade, toda criatura na Terra precisa, e é algo natural.

Fui tomar café. Comi cereal com leite e uma maçã.

“Por que coloca a bebida junto da comida?”

Não fazemos isso com todo alimento, e é só porque todo mundo está acostumado.

Depois eu comecei a compor, peguei o violão e meu caderno de músicas.

“Por que você anota o que cria?” ele perguntou.

“Porque se não eu esqueço.”

“E o que é esquecer?”

Bem, era deixar de lembrar, mas eu não soube explicar na hora.

“Os humanos sempre escrevem melodias?”

Na verdade, os humanos só trabalhavam para conseguir dinheiro.

“O que é dinheiro?”

O que usamos para pagar as coisas que queremos comprar.

“Por que você não… trabalha?”

Porque nem todo mundo pode ter emprego.

“Por que não?”

Nem todos tinham oportunidade, ou um currículo bom.

“Currículo?”

É onde falamos o que sabemos fazer.

“E o seu currículo não é bom?”

Não, não é. E antes que me pergunte, é porque eu não fiz faculdade, um lugar onde se aprende coisas para se tornar um profissional. Não sei como é na faculdade e não sei o que é trabalhar, e ainda não construí uma família.

“Por que não?”

Eu não quero.

“E os humanos querem?”

Sim, eles querem. Querem construir uma família, ter filhos, bichos de estimação, uma casa, carro, profissão.

“E você não quer?”

Não. Talvez queira uma bicho de estimação mas só isso.

“Por que não?”

Porque eu não quero ter muitos planos e acabar me decepcionando com tudo, eu nem sei se vou sobreviver até amanhã.

Depois de eu contar sobre como minha vida se resumia em escrever e fazer necessidades como tomar banho e defecar, que eu não tinha horários e dedicava meu tempo a fazer coisas que parecem ser inúteis, como compor músicas, escrever textos e ficar triste sem motivo, ele me perguntou:

“Tem certeza que você é um ser humano?”

É, alienígena, talvez eu não seja.

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