O mundo “cão”

Estavam certas as minhas suspeitas de que o mundo está errado. Eu não sou de ler jornal, de ver jornal na televisão. Mas nada me ampara – as pessoas dizem que estamos vivendo em um mundo cão.

Eu vi o jornal essa noite, e acompanhei a notícia de um homem que queria vender o próprio filho. E isso me deixou triste de tantas formas, que eu não podia simplesmente ficar calada.

O homem passava por dificuldades, precisava do dinheiro. Em que mundo vivemos em que almas valem o nosso real? Parece surreal. Vender um corpo? Talvez não. Mas vender uma pessoa? Isso sim é triste.

Nós estamos em um mundo tão cheio de ódio, tão cheio de mágoa. Não entendo de guerras, mas vivemos em várias batalhas. Diárias, semanais, mensais, anuais. Parece que há terrorismo em todo lugar – mas a diferença é que não tem bombas.

A situação é crítica: as pessoas que têm poder estão fora da lei. Não há segurança em lugar nenhum. Pessoas caminham com medo, tentando arranjar uma solução – só que uma solução para não ser roubado, e não para acabar com ladrão.

Estão ensinando a vestir as mulheres com burcas para acabar com a “provocação”. Estão nos obrigando a votar para acabar com a corrupção, mas não, não dá certo não. Estamos em um mundo em ebulição. Parece até que acabaram as pessoas boas no mundo, que elas estão em extinção. Mas eu não posso acreditar nisso. Eu não posso perder a minha esperança.

Eu não quero acreditar no mundo em que vivemos. Onde está aquela história de amar o próximo como a si mesmo? Isso não existe mais. Não é mais disso que chamam de “valores cristãos”. Agora valor cristão quer dizer só amar o sexo oposto. Isso quer dizer abominar o amor exposto. E isso não faz o menor sentido.

Eu quero gritar. Porque estamos vivendo uma grande injustiça, está tudo tão errado, as pessoas não se respeitam. Não respeitam a si mesmas. Elas não têm mais amor, é o que eu tenho visto por aí. E enquanto isso, os cachorros estão distribuindo amor para seus donos, ou estão abandonados nas ruas, pedindo por amor (e comida).

Eu não entendo por que chamar o mundo de hoje de mundo “cão”. Os pobres caninos nunca fizeram nada para ninguém. Eles estão caminhando pelas ruas procurando por alguém para dar amor, esse amor que não existe mais. Esse amor que parece que ninguém é capaz de dar.

Parece que estamos mesmo vivendo nos últimos dias. Que logo isso tudo vai acabar, alguém vai colocar um fim nisso. Parece que estamos mesmo no limite da hipocrisia, maldade, raiva, guerra e mágoa. E para os humanos os cachorros não fizeram nada. Por isso digo que nós não estamos vivendo num mundo cão. Estamos vivendo em um mundo humano, e é disso que devemos ter medo.

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