Escancara

É preciso falar de uma só vez como são as coisas:

Você se abre, você se contorce em outras pernas 
Até que a pele reconheça na do outro a dupla evocação
Magnetismo, arrepio, escavações e buscas
No instante que só acontece uma única vez pela constelação.
Você se lança, você se escancara, 
Todo suor de seu corpo numa só dança
Antes mesmo que se anuncie qualquer sacrifício.
Você oferta, você mostra uma fresta
Dentro de você há uma festa
Ânsia, algazarra, ludibrio, fogos de artifício.
Você se faz toda devaneio, 
Você já não tem mais receio,
Você singra e viaja por entre a noite que é imensidão.
Eu, embora seja só o que tenho, 
Sem eira nem beira,
Ainda assim, me faço inteira.

Bem leve leve me revela
Nesse passo articulado
Para o aberto para o infindo para o alto
Me releve
Para o solto para o desapego para o salto livre.

Quem pouse a pele
No tempo certo e breve
Tempo, palavra de impermanências.

{12.12.16}

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