Te penso, súbito.

A repercutir tua presença tenho estado:

Teu entorno, tua inconstância, tua casa,

Mais próximos a mim do que a tu mesmo.

Mal suspeitas que o te pensar alteia em mim

Um bandeira de regozijo e promessa,

Sonhos ilícitos, disponibilidades perpétuas.

Te transformei num homem inteiro e menos prolixo

Quando ao canto da porta te vejo apenas em viço:

A boca alcança a outra boca e, nesse espaço curto,

Um roça e domina o outro, ingênuo, que se escancara.

Compartilharemos de um mundo de partilha?

Te ofereço cartas e ternura plural, também te oferto

Planos em mangas infalíveis, primavera caindo das mãos

Ao chão que nos corteja a invasão de uma incerteza bruta.

Se te prendi na redoma do rebanho da imaginação?

É bem verdade que aqui estás como um feitiço que durasse

Ao largo das datas comemorativas sem tons festivos:

Se cúmplices, abraçaríamos em brasa as sinuosas ruas!

Nós, homem e mulher,

Criaturas solitárias sob o sol das competências incompletas,

Separados por qualquer motivo súbito

E emaranhados na própria artimanha do gozo.

Deixe-me rastros ou não me deixes…

Te penso, e no meu campo de visão

Teu lugar é todo expansão,

Ilharga dos desejos descobertos

Porque aquele que é lhe é conhecido:

Carne, prazer e festim,

De tudo que arde em mim

E em nós mói.

{01.10.16}