Na aldeia do choro coletivo

Natália Luna
Jul 10, 2017 · 1 min read

Hoje choro por todos aqueles
Que se esforçaram pelo glossário do melhor
E fatalmente fraquejaram

O que quiseram dizer
E o que foi dito em contratempo
O que preferiam ter feito
E o que se desfez de modo inevitável
O que sustentaram a custo de tentar
E o que se liquefez de imediato

No sucessivo do tempo,
Maleável, sem duração,

Rompidos no cerne,
Lançados ao inominável,

E o corpo-adaptativo
Conformado
Por compreender
Que não se atravessam
Paredes que são impenetráveis.

Nossa herança foi o peso dessa vida miserável
Adquirindo couraça
Numa sentença irredutível
E incontestável.

(…)

[08.07.17]

    Natália Luna

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    Do caderninho diário ao virtual esporádico. Escritora na casa número 0. Íntimo Exílio, ed. Urutau, 2019.