Na cadeira do desdém

As atrocidades passavam indiferentes
Quando noticiadas na mesa do almoço
Noticiavam-se mortes, doenças, epidemias
E na cara estampada a resignação incólume.
 
O mundo poderia desabar
Estaria ele ali ainda à parte
E à salvo de todo lastro 
Em sua cadeira do desdém
O que acontecia aos outros era apenas
O fato consumado e fadado do mundo.

Os outros poderiam morrer prematuramente
Os outros poderiam ser destronados do centro,
Flagelados, corrompidos, desintegrados, 
E a notícia sempre chegaria com uma resignação
Enquanto limpava a boca com o guardanapo.

[15.07.17]

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