Poema no avião

O tempo da queda passou 
O inverno pela vereda passou
Junto de tudo que a fazia recolher-se no casulo
O intervalo, o vácuo, o não descoberto, o nulo

Sete flechas que a transpassavam, isso já passou
Sete camadas que a desnudavam, isso há muito passou
Toda sua fragilidade crua, na encruzilhada,
Feito presa solitária, isso também passou
Mas é preciso ainda que alguém lhe diga:

‘Sua ferida estagnada
Não é nada mais
Que apenas uma lágrima entalada,
Ais que a alma chora,
Nó na garganta,
Tudo e nada que se nega,
Semente que se planta e demora’

{26.02.17}

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