[André Breton]

Tirei as bordas das minhas palavras

Quando digo
É preciso ter cuidado com as palavras
Digo em verdade que a elas me inteiro e me coloco à prova
Lapidando as bordas para a realização do sumamente necessário.

Quando digo extremos
Digo verborragia de interiores,
Seu céu turvo e difuso,
Doce para crianças aos domingos no parque
Para apaziguar as emoções contorcidas 
Em vaguidão e vanidade.
 
Quando digo sensibilidade
Digo estado de apreensão,
Disponibilidades perpétuas,
Tato permeável para a intuição guiar,
Capacidade para tocar a bem poucos.
 
Quando digo escrita automática
Digo até onde vai o consciente,
Qual é a meteorologia hoje da mente,
Abertura da nebulosa a ruminar,
Possibilidade de seus grilhões desamarrar
Quase que por completamente.
 
Quando digo inspiração
Digo estado todo ebuliente,
Visitação ao êxtase num só instante,
Saltos de trampolim do hedonismo por criar,
Processo aguçado do Eu com seu ser inteiro.

[28.06.17]

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