Wanderlust


Originalmente publicado em pviagensghistorias.blogspot.com.br.

Boa noite, minha gente!

Wanderlust, segundo a Wikipédia:

“Wanderlust é uma expressão derivada do alemão: ‘’wandern’’, ‘’caminhar’’ e ‘’Lust’’, ‘’desejo’’. É comumente definido como um forte desejo de viajar, ou de ter um forte desejo de explorar o mundo. Não é somente um simples desejo, é uma sensação que toma todo o corpo e a mente, e em uma seqüência de fatores, incluem-se uma sensação de desconforto nas pernas, nos músculos, e aquele desejo incontrolável de ir, de seguir um rumo qualquer em direção ao desconhecido ou a algum lugar que se vá encontrar algo novo, que é a razão daquele desejo de ir.”

Todo blog de viagem já falou dessa expressão. Mas por quê sentimos essa vontade enorme de desbravar novos caminhos?

A história humana está repleta de episódios em que a busca por algo impulsou o deslocamento de grandes populações. O povo hebreu saiu da cidade de Ur em busca da terra prometida, Canaã. Os assírios buscavam conquistar novos território pelo poder. Os fenícios viam no mar uma maneira de expandir. Os persas queriam conquistar o mundo inteiro em nome do Bem. Os gregos buscavam novos sabores. Os romanos queriam constituir o maior império. Os europeus buscavam novas terras para expandir a fé cristã e pela necessidade de ter novas experiências sensoriais causadas principalmente pelas especiarias. Os “povos bárbaros” (vikings, germanicos, francos, hunos e etc) queriam fazer parte da vida romana. E, voltando ao início, o homem pré-histórico, nômade, buscava a sobrevivência.

Perto das trajetórias dos povos citados, talvez a realidade atual dos refugiados do Oriente Médio (Síria principalmente) é a que mais se aproxima. Agora, para uma viajante contemporânea, o que fomenta o desejo de viajar? Quais são os meus objetivos quando eu viajo? O que viajar significa pra mim?

Às vezes parece egoísmo. A viagem representa uma descoberta. Não uma descoberta de quem eu sou, mas sim de quem eu posso ser. O que posso ser em outra configuração de ambiente social. Toda vez que eu viajo eu me pergunto: “O que eu poderia fazer se eu morasse aqui?”, “Quais seriam as minhas possibilidades?”

A descoberta do lugar a minha maneira é o que mais me fascina. Não quero seguir roteiros, mas sensações. Se eu vejo um roteiro de viagem eu o analiso, a descrição deve está repleta de possíveis sensações que aquele lugar pode despertar. Viajar é viver uma outra vida possível. Viajar é uma inserção em outra realidade, seja pelo idioma ou pela própria diferença cultural.

Viajar é algo que colabora para sua “Bildung”. Os alemães sempre encontram as melhores palavras para descrever sensações tão complexas que em português não existe um termo único. “Bildung” é termo usado pela filosofia alemã para descrever o processo de formação cultural e pessoal de um indivíduo. É a idéia de que como indivíduos, a maneira como vamos dar significado a uma experiência é totalmente individual. Cada maneira de se viver uma experiência colabora para a transformação individual e desenvolvimento da “bildung”.

E nada melhor do que a viagem para o desenvolvimento da “bildung”, a viagem é uma maneira de viver experiências nas quais, na inércia, nós nunca teríamos oportunidade de viver, é uma maneira de ver uma outra versão de nós mesmos.

Então, diferentemente dos povos ao longo da história, eu não procuro viajar por sobrevivência; eu viajo para experimentar. Entretanto, similarmente àqueles povos, eu me transformo em cada nova viagem que realizo, mesmo quando viajo para algum lugar onde eu já estive.