A Brixton de Bowie em 11.01.2016

Na segunda-feira o mundo acordou com a notícia da morte de David Bowie. Brixton é a vizinhança em Londres onde David, ainda Robert Jones, nasceu e cresceu. Foi lá que eu passei o dia, dividindo o choque com um número incontável de pessoas.

O peso do início do dia não era pouco. O mural pintado em 2013 virou ponto de encontro para quem queria prestar homenagem, para a mídia incansável ou simplesmente para aqueles que tentavam achar uma forma de processar a informação de que o ídolo havia partido. Vi e ouvi de tudo. Desde gente grande chorando feito criança até algumas pessoas dizendo que estar ali só podia ser piada ou oportunismo e estávamos todos perdendo nosso tempo. Imagino que o próprio Bowie saberia lidar com essa diferença como ninguém. Eu particularmente sentia que era a melhor e única coisa que eu poderia estar fazendo com o meu tempo.

É difícil não cair no lugar comum ao admirar a genialidade de Bowie, mas foi impressionante ver a quantidade de pessoas se referindo a ele como pai. Como alguém que de fato mudou suas vidas e as ajudou com diversas maneiras de expressão. Em uma entrevista de décadas atrás ele fala que "um não é totalmente o que um está sendo condicionado a pensar que é". A partir desse tipo de pensamento que o artista abriu caminhos para tantas pessoas que se sentiam estranhas e excluídas, mostrando que ser diferente e mudar faz parte de se descobrir e apenas ser, de acordo com sua própria visão, sem ter que viver pelas regras dos outros. Nesse sentido ele realmente é pai de muita gente.

O nó na garganta era recorrente e a vontade de transpor as lágrimas parecia crescer com a chegada da noite. A catarse coletiva viria com música. Glitter e bebida também. O movimento aumentou e assim as rodas de violão e as caixas de som surgiram. Da rua ou dos pubs ao redor, ecoavam canções, palmas e gritos entusiasmados. Conversas sobre o impacto de suas letras, melodias e personas. Um festival de rua de Bowie. Totalmente contagiante. A dualidade de estar triste e alegre ao mesmo tempo tomou conta. Um garoto visivelmente abatido disse que era bom estar cercado de pessoas que também gostavam dele, que isso ajudava. Ali todos tinham encontrado algum tipo de apoio. Brixton estava celebrando seu menino e todo o incrível legado artístico que ele deixou. Uma festa de despedida digna de sua enorme estrela.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.