Às vezes vejo pessoas reclamando das baratas que lhes fazem visitas noturnas. Elas têm asco, elas têm medo, elas se desesperam. Quando eu vejo uma barata, eu dou boa noite e passo. Respeitosa. Mas no meu quarto só entram borboletas. De dia são borboletas, à noite mariposas.Elas vêm e ficam rondando, se batendo, e eu fico admirada com seus movimentos. Eu também dou boa noite, agradeço a visita e espero que elas acertem o caminho de sair de novo. Muitas vezes elas se machucam. Se batem nas janelas, como quem dá murro em ponta de faca. Eu mais uma vez apenas torço por elas. Que você seja feliz… que acerte o caminho da saída. Eu não bulo nela, ela não bole em mim, que nem as baratas que de longe vejo e cumprimento. Mas no meu quarto só entram borboletas. Coloridas, bonitas, eu até penso em tirar uma foto, bem de perto, para tentar capturar a beleza delas. Deve ter sido a luz que as atraiu, eu penso, assim como as baratas. Eu tenho certeza que as baratas fazem samba e amor até mais tarde e ficam com muito sono de manhã. É por isso que também só as vejo à noite. Será que de dia também são borboletas?Como as mariposas que vêm me dar beijo de boa noite. Mas no meu quarto só entram borboletas. Entram borboletas e saem mariposas, pela simples metamorfose que é entrar e sair de um lugar que lhes recebeu sem aversão. Que em meu quarto continuem entrando borboletas!