grito mudo
te escrevo porque talvez assim consiga te enviar as minhas sensações: elas são horríveis. me espanta que você seja um leitor tão quieto, nunca comenta, nunca pergunta, sequer me conta que me leu — por vezes acredito que falo sozinha nas linhas do mundo. falo?
ontem, ou hoje, já não sei porque não importa — suportar a dor é minha única missão hoje- percebi quão íntimo era meu delírio narrativo, você acompanhou e nunca (nunca é um absurdo gigante) me perguntou nada. não sei se porquê nunca parei de falar, ou se porque não te interessa. você espera o tempo da palavra em silêncio metafórico: o mundo te desperta mais pulsões do que o meu eu, ainda bem.
não consigo mais te escrever porque estou afogando em minhas lágrimas. parece que eu vou morrer, mas não vou, você sabe.
