Resenha

Alegria Compartilhada — Forfun (2011)

Originalidade define esse novo Forfun

Nota: Eu escrevi essa resenha em 2011, época do lançamento do álbum Alegria Compartilhada, do Forfun. Perdoem os eventuais erros na escrita.

Uma das mais difíceis tarefas no território da música, para uma banda, é conseguir reinventar seu estilo. O trabalho de evolução musical é pesado e requer coragem e atitude, ainda mais quando o estilo que lança a banda possui relativo sucesso. Por isso, a banda carioca Forfun merece todas as congratulações que vem recebendo no cenário independente da música brasileira. O novo disco, Alegria Compartilhada, só confirma o que a banda já tinha proposto com Polisenso (2008): uma revolução musical, um mix de várias influências e um dos sons mais legais dentre as bandas brasileiras da atualidade;

É fato que aqueles garotos de 2002 não são esses de 2011. Quase dez anos separam duas bandas claramente diferentes, que representam um amadurecimento não só em som, mas em discurso e postura. O pop punk californiano — estilo que os consagrou e que colocou as músicas da banda na cabeça de muitas garotinhas de onze anos — quase não está mais presente aqui. Se em Das Pistas de Skate às Pistas de Dança (2002) as músicas eram sobre o relacionamento adolescente, falta de grana, surf e skate, aqui a história é outra.

Já no Teoria Dinâmica Gastativa (2005) o Forfun mostrava nas faixas Good Trip e Viva La Revolucion! que era algo mais do que as bandas emo e pop punk que pululavam no mercado daquela época. Foi com essa mentalidade que os rapazes decidiram inovar de vez. Quatro anos, então, separaram TDG do Polisenso. Um disco original e único no cenário atual, que mudou de vez a cara do Forfun.

Polisenso tem dub, reggae, hard rock, música latina e muito eletrônico envolvido. As letras cantam liberdade, espiritualidade, crítica social e, como o título de uma faixa, o panorama da sociedade numa visão própria. É um excelente álbum e quase conceitual. E um ensaio para este Alegria Compartilhada.

O supracitado álbum traz consigo doze faixas com muito groove, eletrônicos e psicodelia. É difícil adjetivar esse álbum. O pop punk quase sumiu, deu lugar a músicas com uma identidade nacional. O Forfun soube dosar a crítica sócio-ambiental (que chega a ser quase exagerada no Polisenso) e canta agora temas um tanto mais leves, adicionaram mais metais e chamaram gente de renome pra ajudar no clima do álbum. Aliás, o clima de Alegria Compartilhada é o principal. O disco fala de morro, praia, rio, dança, mas também de religião e amor. Além disso, conta com a presença de Black Alien, ex-integrante da banda Planet Hemp; Guto Bocão, mestre de bateria da Vai-Vai; Tiquinho, trombonista do grupo Funk Como Le Gusta; Fernando Bastos da Orquestra Brasileira de Música Jamaicana e Paulinho Viveiro que toca trompete com Seu Jorge.

Vale a pena escutar. O álbum tem uma vibe ótima, te faz querer largar tudo e ver o sol, entrar num carro e ir rumo à praia e outros estados de espírito relacionados à liberdade. Alegria Compartilhada reafirma a competência da banda de se reinventar, fazer um som original, e coloca o Forfun como uma das principais bandas no cenário independente e da nova música brasileira.

Outro ponto legal da banda é sua posição no mercado fonográfico. O Forfun lançou o álbum completo para download no seu site. (Não escuta mais, mas tem no Spotify!)

E aqui você escuta o Polisenso, também na íntegra.

Pontos Altos: Dissolver e Recompor e Largo dos Leões

Pontos Baixos: Minha Jóia


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