Tá facinho facinho pegar sífilis. Previna-se.

Nathalia Barboza
Nov 6 · 4 min read

Tá, todo mundo sabe que durante qualquer transa gostosa os fluidos podem se misturar.

Tá, e se eu te contar que tá facinho facinho “pegar” sífilis no sexo oral e por meio de dedos contaminados pela troca de fluidos?

É, de novo aquela história de se proteger com plástico filme ou látex… Uhum, tem aquela coisa de lavar as mãos antes e depois da relação.

Ah, mas tem o durante, amore!

Então é cada uma com sua dedeira, se curtem a pegada, e cuidado também com os brinquedinhos para evitar ISTs (infecções sexualmente transmissíveis).

Pode piorar? Pooooode, claro que pode:

Brasil não consegue parar sífilis, e doença alcança maior índice desde 2010. Segundo a reportagem, “apesar de sucessivos alertas nos últimos anos, o Brasil ainda não conseguiu frear o avanço da sífilis e registra o maior número de casos da doença desde 2010, quando a notificação passou a ocorrer de forma regular, segundo dados do Ministério da Saúde”.

Os números divulgados apontam que, só em 2018, foram 158 mil casos de sífilis adquirida (contágio entre adultos), o equivalente a 75,8 casos a cada 100 mil habitantes. Para comparação, um ano antes, esse índice era de 59,1 casos a cada 100 mil.

Ok, tem tratamento e cura. Salve a penicilina!

Ótimo! Amei! Sou alérgica a penicilina; e não é pouco, não. Descobri isso da pior forma: quase morri com amoxilina para tratar uma infecção de ouvido! E a coisa fica mais feia em caso de gravidez (não o meu, garanto), porque a mãe passa a doença para a criança (sífilis congênita) e, se não puder usar a penicilina, tampouco pode tomar nesta época doxiciclina, o antibiótico indicado como alternativa.

Nat, mas o que é sífilis?

É uma IST safadinha causada pela bactéria Treponema pallidum.

Como eu sei se estou contaminada?

O ideal é realizar um teste rápido (TR) de sangue. Até porque, por não criar nenhum incômodo no primeiro estágio, muitas vezes a doença passa desapercebida. É aquela história… Você não sabe e, assim, sem saber, está passando “a bola” para a(s) parceira(s).

Há manifestações visíveis?

A doença pode se manifestar de diferentes modos e em vários estágios. Logo de início, os sintomas podem desaparecer, dando sensação de falsa cura.

Aí eu deixo para a Larissa Darc, que pesquisou tudo isso e dá a ficha completa no seu livro Vem cá: vamos conversar sobre a saúde sexual de lésbicas e bissexuais. Confira:

Sífilis primária

• Costuma vir sob a forma uma feridinha indolor bem no local de entrada da bactéria (boca, vulva, vagina, colo uterino, ânus)

• Os sintomas surgem até 90 dias após o contágio e podem vir acompanhados de caroços na virilha, mas não vai arder ou coçar

Sífilis secundária

• Os sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do surgimento e cicatrização da ferida inicial

• Ocorre o aparecimento de manchas no corpo. São lesões ricas em bactérias.

• Pode apresentar febre, dor de cabeça e ínguas

Sífilis latente

• Pode não apresentar sintomas

• A duração é variável e pode se transformar na sífilis secundária ou terciária

Sífilis terciária

• Costuma aparecer entre dois e quarenta anos após a primeira contaminação

• Pode causar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte

O jeito biroliro de governar

Somente a prevenção correta e constante pode impedir que você ou outra pessoa venham a se contaminar. Vai daí que uma notícia boa, no Brasil de 2019, nunca é o que parece… O Ministério da Saúde está em campanha contra as ISTs. Bacana, né?

Olha só: Governo usa medo como mote de campanha contra DSTs; especialistas criticam. Desde 1º de novembro, a iniciativa do governo tem veiculado peças que demonstram reações das pessoas ao ver fotos de sintomas de algumas das infecções.

O MEDO DANDO O TOM DA CAMPANHA. Ah, vá!

“É um desastre”, resumiu o médico infectologista da Universidade de São Paulo, Rico Vasconcelos, na matéria do Estadão. “Quem fez a campanha não estuda, não entende IST e não segue as estratégias mais modernas de prevenção. Preferem apostar no medo e na culpa”, completa ele, que lembrou ainda da famigerada campanha “Se você não se cuidar, a aids vai te pegar”, dos anos 90.

Mesmo assim, insisto: cuidem-se mocinhas! Tentem se proteger, façam testes e só não deixem de amor. Eu amo vocês!

Nathalia Barboza

Written by

Jornalista, palmeirense, paulistana. Só sei que sou assim.

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