desencontros
o problema das relações de hoje é que a sinceridade não mais reina. claramente, nenhuma pessoa chegará com a plaquinha indicando suas devidas intenções. mas o mal do século é que nos acostumamos a regar a flor sem ao menos ter a vontade de vê-la florescer. mas poxa, não custa nada avisar se tua intenção não é ficar. iludir alguém é feio. e foi assim comigo em minha última aventura amorosa-desastrosa. afinal, se não desse certo não seria eu; eu e a Clarice somos gêmeas nesse quesito. ele chegou sorrateiramente, o conheci por acaso e ele no entanto me falava de destino. ele, de início, era um amor. me conquistou com palavras até não poder mais. até eu cair em suas mentiras – e meu bem, não foram poucas. até eu dizer chega pro meu coraçãozinho já magoado. eu não entendo como alguém que falou tudo o que ele falou, fingiu tanto o que ele dizia sentir, fez. não dá para engolir que existem pessoas assim. ou melhor, a gente até sabe que sim, mas é aquela coisa, a gente nunca está preparado para quando se é com a gente. falta de conselho dos meus amigos? falta de opção? carência? não. quem me dera, por um instante, a resposta de uma dessas perguntas ser sim. a resposta para tudo o que fiz foi amor. simples assim. simples como o final desse texto, que vai ficar assim, inacabado como o meu amor por ele. meio sem jeito porque eu também me sinto assim agora. sem explicação, porque eu também não tive nenhuma para tudo o que ele fez.
