lembrei

ei, você. sim, é você mesmo, lerdinho. é que hoje eu escutei Dengo e lembrei de como nosso beijo se encaixou já no primeiro encontro. lembrei também que nunca mais escolherei filmes porque eu sou péssima nisso e não vou mais pedir pipoca no cinema, claramente, não dá certo. lembrei daquela vez que sua tentativa de me ensinar a comer com hashi foi por água abaixo e que eu já passei vergonha tentando comer um hot roll porque eu ficava nervosa enquanto você me olhava comer. lembro das nossas conversas bestas e de como a gente não conseguia voltar para onde queríamos e eu fiquei cantando James Blunt com você no carro, enquanto chovia. isso parece cena de filme, mas não mais que a forma que eu te encontrei numa farra onde eu nem ia. hoje eu também lembrei daquele áudio que você me mandou bêbado, eu o repeti mil vezes só para me perder em suas palavras e no seu sotaque engraçado que eu amava. lembrei que você disse que não sabia como não havia encontrado alguém como eu em 20 anos e sempre me perguntava se eu acreditava em destino quando eu me questionava sobre a nossa sintonia tão rápida. hoje eu me pergunto o que aconteceu. o que nos afastou; me tirou de ti; fez você começar a mentir e mentir sobre quase tudo e mesmo eu sabendo a verdade, eu não queria brigar, mas no fundo eu sabia onde você estava sempre que me falava que ia dormir. eu só queria saber porque você não está comigo e porque não ficou para ver como poderia ser bonito nós dois. você se foi tão rápido quanto chegou – e provavelmente já leu isso aqui nos meus outros nove textos sobre você. e eu nunca vou me (te) perdoar por ter feito de nós apenas um capítulo do livro que poderia ter sido.

    Nathália T. Fontes

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    toda vez tenho que me derramar em linhas quando a vida me transborda