um raso mergulho no meu eu

eu sempre escrevo sobre os outros, sei que vocês já notaram, mas hoje eu pensei em escrever sobre mim. engraçado. uma pessoa descrever a si mesmo é difícil, ainda mais eu, que gosto mesmo é de ouvir minhas características por outro alguém. na verdade, considero que me enxergar pelos olhos de outra pessoa é fantástico. mas eu sinto uma necessidade de me derramar em linhas toda vez que a vida transborda. e hoje, eu preciso escrever sobre uma libriana nata – a indecisão reina tanto que ainda penso se devo publicar esse texto ou não. de longe, enxergam alguém baixinha {muito, por sinal} mas só vêem o tamanho do coração, inversamente proporcional ao da altura, de perto. de perto sabem, que no fundo, tudo que mais quero é fazer bem a todos, ou ao menos tentar. de perto, dá para entrar em meu mundo e mergulhar num universo quase indescritível. sim, digo universo porque costumo acreditar que vivo no meu próprio mundinho {e isso alivia, de alguma forma, a tensão do que é o viver}. não são todos, aliás, muitos poucos ou até diria que ninguém nunca me desvendou por completo. quase que hilário, logo eu, que falo tudo o que penso e até me torno, sem querer, um livro aberto. carrego no peito o amor pelas coisas mais simples; como um pôr-do-sol, um simples observar dos pingos de chuva lentamente pela janela, um bom livro numa rede ou o cheirinho de terra de fazenda ou, claro, a lua. carrego também uma vontade imensa de conhecer o mundo; visitar as mais diferentes culturas, arquiteturas, comidas {claro rs} e poder me encontrar, definitivamente, em algum lugar durante essa jornada. carrego um apego aos livros e a tudo que me remete à leitura; eu não sei dizer o porquê, mas desde guria, ler era um passatempo e hoje escrever se tornou hábito. todos sabem que fazer meus textos diários é rotina, é caso de amor, é paixão. não durmo sem ler um de Bovolento todas noites também, digo e repito, eu o venero. e também sabem o quanto me empolgo, encarnando o próprio Werther só por amar a vanguarda a qual ele está inserido, e almejar que a sociedade atual não fosse tão estupidamente líquida. carrego sonhos os quais posso morrer sem alcançá-los, mas sonhar, por si só, já é algo surreal {literalmente também}. ah, e também tenho defeitos, muitos; sou impaciente ao extremo e qualquer coisa vai me irritar a ponto de me fazer chorar, raiva ou tristeza, essa sou a eu sensível {de sempre}. carrego um gosto musical que agradeço ao meu papito por ter me apresentado, desde cedo, ao mundo do rock; eu não preciso falar sobre, é amplamente sensacional. carrego em mim, mais que uma vontade, uma necessidade de não ser igual a todos, eu sempre vou tentar ser diferente em todos os aspectos; eu odeio clichês, mesmice. eu canso de quase tudo, menos do amor; burrice a minha, talvez, mas nunca desisto do sentimento mais puro e bonito que um ser humano pode carregar em si. se apaixonar por alguém é incrivelmente lindo, mas morrer de amores pela vida é mais lindo ainda. eu, apesar de tudo e todos, vou tropeçando e ajustando-a para que seja imperfeitamente perfeita e assim, sigo no meu mundinho, muitas vezes bagunçado demais e não compreensível, porém único. essa sou eu. ou a superfície do que sou.

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    Nathália T. Fontes

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    toda vez tenho que me derramar em linhas quando a vida me transborda