Jardim de inverno
- Então... tão preocupada!
- Por favor, me dê silêncio para ouvir.
- Um jardim tão vazio! Procurei tanto para encontrar neve?!
- Mas a beleza e a poesia do solo e da madeira embranquecida pela neve é tão pacificadora! É quase artística...
- Você não acredita nisso de verdade, não é? - ele parecia indignado.
- E por que não? Deveria eu querer que a neve derretesse se não tenho nenhuma semente para plantar nessa terra? - ela parecia pensativa - Não vês que as árvores que aqui estão frutificam mas não florescem? Esperarei o tempo certo até que eu possa enfeitar esse local com flores.
Ele observava inquieto.
- Você quer flores? Isso posso trazer para você quando quiseres!
Ela olhou o local com uma gravidade no olhar que ele não entendia.
- Não são só flores! Podes me trazer flores hoje, mas e amanhã? Quando eu estiver só, quem me dará flores?
Como flores roubadas de outros que delas cuidaram podem atrair as borboletas e os rouxinóis?
- Simples! Trago-lhe flores todos os dias.
- Não, não trazes, sei que tenciona trazer, mas não o fará. Do mais, é tão fácil colher flores sem nunca ter de cuidar delas! Isso me parece desumano. O bom jardineiro sabe cuidar das flores, que ao ser colhidas se não forem cuidadas, murcham e morrem e nunca mais tornam a florescer.
- Mas... Quero dar cores a tudo para você quero que a neve derreta e que floresça agora! Quero que você fique feliz e que também você floresça.
- Eu não! Se a neve derreter e esse lugar não for devidamente cuidado ele morrerá assim como eu já morri muitas e muitas vezes.
Ele apenas a olhou.