Como, afinal, meditar?

(sem frescura nem misticismo)

Já me fiz tantas vezes essa pergunta. Já li tanta coisa, já vi tanto vídeo. Já tentei tantas técnicas, jeitos, horários e lugares diferentes.

E o resultado era sempre o mesmo: eu sentada em algum lugar, com dor nas costas, sem sentir as pernas e brigando mais do que nunca com minha mente tagarela — ou dormindo sentada.

Mas o importante foi que não desisti permanentemente — desistia por um tempo, voltava a tentar, desistia por um tempo… Às vezes meditar era bom, normalmente era só para dizer para mim mesma que tentei e não sentir culpa.

Só quando ouvi/li (não lembro de onde tirei essa informação) que meditação seria medir-a-ação, é que tudo ficou mais fácil.

Medir-a-ação seria algo como prestar atenção no que estou fazendo, só isso, e isso para mim é muito mais fácil que sentar sem nenhuma distração e ficar ouvindo (e discutindo com) a mente. Falei sobre isso nesse texto.

Ok, prestar atenção é um jeito de fazer uma meditação ativa, digamos, mas e como meditar sentadinha sem nenhuma distração?

É aí que complica um pouco, mas não é impossível. Existem vários jeitos. Mas basicamente a chave é prestar atenção em algo no seu corpo e tentar não brigar com os pensamentos.

Sinta a respiração, seja entrando e saindo, seja acima do lábio superior. Preste atenção em alguma sensação no corpo, nem que seja nas suas pernas formigando (não, elas não vão parar de funcionar se ficarem um bom tempo formigando, já tive essa dúvida mas segui sem me mexer por 1 hora e elas seguiram funcionando).

No meu caso, se fico prestando atenção numa coisa só acabo me perdendo em pensamento, então o jeito que encontrei foi ir passeando pelo meu corpo, sentindo cada parte do corpo.

Por exemplo, presto atenção no topo da cabeça. Fico prestando atenção até que sinta algo ali. E daí mudo o foco para outro lugar do couro cabeludo. Fico ali até sentir. Daí vou para a testa. Olhos. Bochechas. Nariz… E assim vou descendo até chegar nos pés, e depois vou subindo… Esta é a forma mais fácil para mim, e tem dias que fico ali um bom tempo, super presente, mas tem dias que a mente vence e quando vejo estou mergulhada nos pensamentos. Não se desespere, é assim mesmo. Eu tinha a ilusão que meditar era algo que ia ficando mais fácil, cada dia mais fácil, mas essa era uma doce ilusão. Falo um pouco sobre essa impermanência nesse texto.

Não desista, não se desespere. É assim mesmo. Tem dias tranquilos, tem dias infernais, e normalmente nos dias infernais é quando você mais precisa e mais vai tirar proveito da meditação, então tente um pouco mais. Mas também se não está funcionando de jeito nenhum, troque para fazer algo prestando atenção, como caminhar ou tomar um banho.

“Ah mas não consigo parar de pensar!”

E quem consegue? Acho que só estando morto e mesmo assim tenho minhas dúvidas… Os pensamentos vão vir, não tem jeito. O que tento é não entrar tanto nos pensamentos. Eu gosto de meditar com um caderno do lado, assim se meus pensamentos ficam me lembrando de algo que tenho que fazer, simplesmente anoto para fazer depois, e assim a mente precisa trocar de assunto. Eu sei que isso é difícil, e pra mim demorou um tempo para eu entender como fazer: mas não se envolva tanto com seus pensamentos, deixa que eles estejam lá mas se concentre em outra coisa, como a respiração, alguma sensação no corpo, um formigamento, qualquer coisa serve. E se você se distraiu com o pensamento também não tem problema, só volte a prestar atenção.

Se você começar a ler sobre como meditar na internet vai achar várias formas certas e erradas de meditar, vai ficar meio maluco tentando fazer do jeito “certo”, que muitas vezes é impossível para quem está começando. Não desanime; não deixe de tentar só porque você ainda não alcançou o ideal. Comece nem que seja com 5 minutos pela manhã, na hora do almoço, ou à noite. Não importa o horário e o tempo, o que importa é criar o hábito e ir aumentando daí. Você aos poucos vai perceber que seu sono vai melhorar, que seu dia passou sem grandes problemas, ou que você reagiu diferente frente a algo que sempre o fazia reagir de uma forma que não gostava. Comece. Só isso, depois você vai adaptando e chega no ideal. Ou não. Depois você encontra o seu jeito ideal.

O importante é ser conectar com você mesmo. Se você está sentado em posição assim ou assado, com as pernas cruzadas ou no sofá, tudo isso são detalhes. Não é o como que é importante, é se conectar com você mesmo.