Do anoitecer ao amanhecer
A escuridão tomava conta do lugar, os brilhos fortes das estrelas alcançavam as árvores e esse era o momento favorito da minha vida. Dia após dia, era o momento que eu esperava. O cair da noite, obviamente eu me sentia completamente cinza em dias nublados e chuvosos. Eu sempre fui verão.
Eu nasci em um verão, lembro da minha mãe reclamar mais do calor do que da dor no parto. Eu lembro de escalar as árvores e esperar ali pela noite, sabendo que eu poderia me despedaçar em milhares. Mas eu acreditava fielmente que se eu morresse eu faria parte daquele brilho que me encantava.
Olhar para as estrelas é como olhar para o passado eles diziam, o que você enxerga pode ser algo que já nem existe mais, ainda assim aquilo nunca deixou de me preencher com uma alegria imensa e nem sempre o que ainda existia era real despertava aquela sensação em mim.
Eu me tornei inverno. Durante muito tempo fui impedida de apreciar o brilho dos seres mortos e fui guiada por uma massa branca que não me deixava perceber o nada. Durante uma das mais longas noites em claro eu apreciei o momento antes do nascer do sol e me apaixonei. A lua sempre significaria o mundo para mim e me faria falta, mas tudo que eu tenho é o momento antes do nascimento do sol.
