Aprendendo a viver na internet

Hoje nós vivemos na cultura do consumo, na era da informação rápida, do vai-vem-vai de novo, da era em que não existe mais o emissor, o receptor, o meio e a mensagem. Todo mundo é tudo e o todo. Refletindo sobre tudo isso em que vivemos, sobre um momento em que a gente levanta da cama sendo bombardeado de notificações das redes sociais, de grupos no whatsapp, de informação, imagens, conteúdos diferenciados, será que conseguiremos transformar tudo isso em conhecimento? Será que é possível que tudo isso que nos complementa hoje, de certa forma, seja parte de nós?

Sinto falta das conversas sem o telefone apitar, dos shows de rock sem um montante de fotos pra postar e fazer check in, dos beijos calorosos sem pensar em ter de desligar o celular e correr o risco de perder um email importante ou uma mensagem do chefe.

Afinal, somos seres sozinhos, sim. Mas será que nossa presença física poderá mesmo ser substituída pela virtual?

Não. Não quero viver sem os abraços quentinhos dos amigos, as risadas altas e espontâneas com orégano da pizza no dente, ou um belo banana Split compartilhado.

Quero mais sorrisos, mais conhecimento (nunca é demais, não é mesmo?), mas principalmente aprender a viver no meio de tudo isso.

Outro dia um amigo de muito tempo compartilhou uma imagem no Facebook. Sabe, eu o considerava um cara inteligente antes daquilo, mas ele me decepcionou. Falava sobre como não tem nada a ver ser racista por associar um negro a macaco, ou ser homofóbico por associar um “viadinho” a um homossexual, e até mesmo sobre como mulheres feministas são chatas. Afinal, ele é homem, branco, hétero, cis. Então, acho que a internet potencializou muitas coisas e proporciona experiências incríveis e foi através dela que eu conquistei muita coisa, mas ela também deu voz aos idiotas, e aos poucos a gente explora e descobre mais pessoas a nossa volta com pensamentos tão diferentes que a gente pensa ser absurdo, porquê estamos acostumados a ter a companhia de quem tem o pensamento semelhante, aquela afinidade que todo mundo gosta.

Como já diziam os Titãs, “é preciso saber viver”, então precisamos aprender a conviver com os novos hábitos, sem perder os antigos, apreciar a nós mesmos, a quem amamos e a conviver com as diferenças.

Like what you read? Give Nathália Enriques a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.