Um amor chamado escrita

Faz um bom tempo que eu não escrevo e parte disso se faz devido à correria do dia-a-dia que muitas vezes nos força a priorizar algumas coisas e deixar outras de lado.

Sempre fui apaixonada pela leitura, assim como a escrita, desde criança. Me recordo da época em que não sabia ler, mas que adorava a sensação de abrir as folhas de jornal e colocá-lo à minha frente, como se eu fosse entender alguma coisa que tinha ali, e minha avó apenas ria de mim, porque sabia que eu só estava vendo as figuras. Ou quando ficava rabiscando cadernos com canetas coloridas, e até mesmo arriscando versos. Tempos depois, quando a minha mãe chegava em casa do trabalho com almanaques da Turma da Mônica e do Pato Donald, eu entrava naquele mundo, vivenciava todas aquelas profundas histórias do Tio Patinhas e da Magali — alerta de ironia — e ficava encantada me imaginando naqueles mundos.

Então, na adolescência eu tive várias tentativas frustradas de blogs, principalmente quando descobri a programação em HTML. Preciso confessar que já tive um blog da Hello Kitty, completamente rosa, minha cor favorita até hoje — diga-se de passagem — e com o cursor de borboleta brilhante. Em minha defesa, na época isso era última moda, novidade.

Já escrevi sobre minha fase com purpurina nos olhos, correntes e gargantilhas pretas e mais tarde sobre moda e comportamento, até que parei. Quando me vi nos tempos hipermodernos, com menos tempo para o lazer, para a família, para os namoradinhos — alô titia -, minha inspiração para a escrita acabou ficando cada dia menor, mas este é um amor antigo, assim como a leitura, e eu sabia que um dia voltaria com mais bagagem, mais histórias para contar, mais sabedoria e principalmente inspiração. Escrever é como uma terapia para mim, me acalma, me traz paz, mesmo sabendo que é provável que só a minha mãe vá ler.

Este ano foi um ano diferente, naturalmente com perdas e também conquistas pessoais e profissionais, que estão cumprindo seus papéis no amadurecimento de ideias, opiniões, e aprendizado de vida, e nada mais justo comigo mesma do que me abrir para novas possibilidades, como deve ser, começando por um texto que dará início a uma nova fase, um novo ciclo da minha vida.

Dedico este texto às pessoas que me apoiam nesta trajetória suada e por vezes dolorida, que secaram meus choros, que acreditaram e acreditam em mim, no meu potencial e principalmente nos meus sonhos.

E não, este não é meu discurso de formatura.

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