Um mundo de particularidades

Desde muito pequena sempre pensei muito no quanto cada um de nós temos nossas individualidades. Obviamente, enquanto criança tais pensamentos me deixavam extremamente angustiada por não conseguir entender como poderíamos ser tão complexos. Para ser sincera, até hoje tenho essa sensação, mas como detinha muito menos conhecimento naqueles anos o choro e a vontade de não pensar nunca nesses fatos eram mais frequentes. Bem, é sobre essas individualidades que pretendo discorrer neste texto.

Mesmo sabendo o quão diferente somos e pensamos nunca conseguiremos dizer ao certo o que o outro é ou sente. Nunca teremos noção do mundo da outra pessoa, independentemente da proximidade entre as partes. Mesmo sua mãe, seu pai ou aqueles responsáveis por sua criação que te viram nascer, que te passaram valores e que estiveram ao seu lado ano após ano não conseguem te interpretar totalmente.

Entretanto, nesse mesmo cenário, encontramos aqueles que estão certos de que são capazes de avaliar e, assim, conceituar outros. Pessoas que acham que com o seu mundo conseguem dizer o que é certo ou errado para outros. Aí então temos deficientes, homossexuais, bissexuais, transsexuais, travestis, mulheres e homens que devem se basear em um padrão considerado como o correto para viverem. O mais engraçado é que esse padrão não é ditado somente por leis, mas pela simples convivência. A partir do momento que começamos a impor a surdos que falem, que não aceitamos homoafetividade em locais públicos, que não legitimamos trans e travestis, que existirem casos de feminicídio ou que definimos o que é ser um homem por atitudes quaisquer viveremos em uma sociedade doente, impositiva e opressora.

Agora, pensemos, não é incrível a existência de um ser pensante que é capaz de se autoconhecer e estudar tudo ao seu redor? Um ser que é capaz até mesmo de saber sua pequenez- talvez insignificância- diante de todo o universo? Um ser que consiga entender e imaginar a possível existência de um multiverso? Não é inacreditável que esse mesmo ser, capaz de pensar em tantas possibilidades, não consiga entender que cada um de nós temos dentro de si essa mesma imensidão de fatores e que, assim, é impossível tentarmos compreender algo que até mesmo quem vive não explorou por inteiro?

Sei que é extremamente angustiante e complexo, mas é necessário entender que nós nunca conheceremos por completo tudo que a outra pessoa é. E é fundamental que, mesmo que não compreendendo, respeitemos todas as particularidades e que não esperemos que outros nos entendam por completo. Contudo, é preciso que tentemos explorar dentro de nós mesmos tudo que somos, acreditamos e queremos, porque só assim conseguiremos lidar com o nosso mundo e, dessa forma, respeitar os mundos de outros da melhor maneira possível.

{Trilha sonora: Elis, Titãs, Chico, Teatro Mágico, etc.}

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