Espírito Olímpico — parte 2

Acabou. Como tudo na vida, os jogos olímpicos chegaram ao fim. Foram muitas medalhas, vitórias, derrotas e polêmicas. Teve atleta dizendo que foi assaltado, mas não foi. Teve jornalista falando mal do biscoito Globo. Teve torcida sendo criticada pelas vaias e torcida sendo elogiada pela animação.

Ok, legal. Mas e aí? O que sobrou disso tudo?

Nos últimos 7 anos ouvimos sobre o “grande legado das olimpíadas”. Uns falaram que era a infraestrutura dos transportes, outros, o incentivo ao esporte no país e, os mais otimistas, a despoluição da Baía de Guanabara.

Talvez até seja isso tudo ou não, só o tempo dirá!

O fato é que, entre esses e tantos outros “legados” prometidos, o que mais me chamou atenção foi o incentivo à geração do descarte.

Um menino riscou o nome do Neymar, até então seu grande ídolo, da camisa e escreveu Marta, seu mais novo ídolo. E todos acharam o máximo, claro!

De um lado um menino brilhante, grande jogador, que tem seus defeitos sim, não vamos negar isso aqui, e não atendeu às expectativas de seus fãs. Do outro, uma mulher, batalhadora, brilhante que lutou pra chegar aonde chegou e merece todas as reverências.

De repente, trocar um ídolo pelo outro parece a coisa mais certa a ser feita. Certo? Errado!

É muito mais fácil torcer pra quem está ganhando, pra quem está bem e por cima. Mas é justamente quando estamos por baixo, que precisamos de mais apoio. Ensinamos a esse menino (e a tantos outros) que podemos descartar pessoas quando elas não nos são mais úteis. Dissemos a ele que tudo bem, podemos arranjar outras que nos façam felizes, pelo menos por hoje. Depois a gente troca de novo.

Não podemos descartar ídolos, porque não podemos descartar pessoas, sejam elas medalhistas de ouro ou a mulher do padre. Todos nós temos vitórias e derrotas todos os dias. Todos!

Espírito olímpico é não desistir nem de você e nem do coleguinha do lado. É caminhar junto, na alegria e na tristeza.

Um desejo para hoje, amanhã, para Tokyo 2020 e para sempre: mais Neymar & Marta & Rafaela Silva & João da Esquina & Zé das Couves. E menos nomes riscados.

Esperança também é espírito olímpico. Eu acredito. Vamos torcer!

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