Quando vai dando cinco e meia, seis da tarde, vou vendo o sinal do celular diminuindo gradualmente - pra mim, um aceno claro do aumento no uso dos mobiles nessa faixa de horário.
Imagino o que está acontecendo no mundo lá fora, o mundo dos sons humanos.

A primeira imagem que me vem à mente é a movimentação de uma estação de metrô do Rio de Janeiro no horário em que a turma sai do trabalho. A palavra que me vem é "fervo". Pra constar, agora só escuto os grilos e eventualmente o bater de asas dos morcegos que vem beber o resto da água doce dos beija-flores.
Me sinto completamente na contramão do mundo nessas horas. Se eu virar o corpo a 5 graus pra qualquer lado, corro o risco de ver zerado o sinal do celular. Os sons que eu ouço o dia inteiro é dos pássaros. O máximo de confusão que eu presencio vem de eventuais disputas entre Jacus ou beija-flores - só eles sabem o motivo e eu mesma já desisti de sondá-los.
A última sensação que me vem é de solidão ou isolamento, até porque não é difícil perceber como a mata é barulhenta e como tem coisa acontecendo aqui dentro. Ligar a TV ou alguma música, tem hora que não passa de uma forçação de barra pra lembrar da minha condição humana porque, se deixar, não é difícil achar que só há eu no mundo.

Baita pretensão, Nathalie.

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