As maravilhosas histórias dos meus sonhos!

“São tempos difíceis para os sonhadores!” Eita frase perseguidora! Não me canso de pensar nela, e de sofrer com isso! Sempre fui muito sonhadora, daquele tipo de gente que tem os pés na terra, mas a cabeça nas nuvens, nas mais altas nuvens, idealizando e sonhando com palavras, diálogos e histórias — próprias e dos outros.

Quando era mais nova e o tempo era meu aliado, meu hobbie favorito sempre foi pensar e sonhar, passar horas do meu dia pensando, inventando e dando asas a minha imaginação. Eu não precisava de muito, só de mim mesma e de um canto tranquilo. Tudo acontecia dentro da minha cabeça, eu tecia histórias naturalmente, sobre mim, sobre as pessoas que eu via na rua, sobre gente que eu conhecia e que eu não conheço.

Profundas ou não, as histórias eram minhas companheiras e muitas vezes a minha distração. A vida sempre parece mais difícil do que realmente é, e quando se é jovem, tudo que temos é o o mergulho profundo no presente. Mas eu tinha mais do que isso, eu tinha os meus contos pitorescos e amáveis.

Deles — e neles, eu pensava sobre a vida e fazia planos pessoais. Dizem que os grandes escritores e cineastas escrevem sobre seus sonhos e seus anseios, que documentam sobre suas vidas e também sobre a vida que querem ter. Eu sempre fiz isso, mas na minha mente. rs

Um dia tentei escrever essas histórias. Procurei fazê-lo segundo o método. Como eu disse, o tempo era meu aliado, então estudei ávida sobre roteiro, baixei manuais e sentei na frente do computador…por horas, por dias. Bem, não deu muito certo. Minhas fantásticas histórias não sobreviveram às primeiras tentativas de lidar com ao método e à métrica. Eu adorava conjectura-las, mas coloca-las no papel se tornou um fardo. Deixei isso pra la.

Foi a primeira de muitas coisas que deixei pra la!

Veio a faculdade, as obrigações da vida adulta e o tempo, que era meu amigo, se tornou meu carrasco. A vida ficou dividida em fatias e obrigações, regidas pelo meu ex best friend, o tempo. Ficou difícil sonhar e inventar minhas histórias.

Claro que elas nunca desapareceram. Todos os dias crio novas narrativas, invento histórias, vidas e personagens, mas sinto falta do tempo em que meus pensamentos não eram cativos às agruras e vicissitudes da vida real. É bem verdade que elas servem de ponto de partida pra criação, mas quanto mais se vive no mundo real, quanto mais nossos olhos se fixam na realidade, mais difícil se torna o processo criativo.

Mas elas permanecem aqui, e fazem festa quando aparecem, quando florescem minha mente e meu coração. Se antes elas eram hobbie, hoje são escapes geniais. É o modo da Vida dizer que eu ainda posso sonhar e desejar coisas melhores. Minha mente fértil me atualiza e me mostra novos sonhos e desejos, os quais eu ouso compartilhar somente com Aquele que me fez tão criativa e divertida. Porque afinal de contas, se hoje são tempos difíceis para os sonhadores, são tempos piores ainda para aqueles que escolhem não sonhar!

Então contra tudo e contra todos eu sigo sonhando, contando histórias pra mim mesma. Compondo personagens, criando espaços e mundos coloridos pela minha vida. E quão maravilhosas são as minhas histórias! Elas são desejos plantados no coração de quem ouve, vive e anseia pela alegria de simplesmente viver mais um bom sonho realizado, mesmo que na minha imaginação.

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