As Mulheres em Hollywood: ganhamos mais espaço… até a página dois!

Meryl Streep e Jennifer Lopez vibrando com o discurso de Patricia Arquette (2015)

Quem não se lembra do meme da Meryl Streep no Oscar de 2015, ovacionando o discurso de Patricia Arquette, ganhadora da estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante por “Boyhood”? Na época a atriz usou parte do seu tempo de agradecimento para pedir igualdade de salários e direitos iguais para as mulheres dos EUA. O discurso deflagrou um debate intenso sobre a desigualdade de gênero na indústria cinematográfica, levando muitas atrizes a revelarem seus salários e publicarem notas e cartas contrárias à gritante diferença salarial entre homens e mulheres.

O burburinho e a exposição do tema, parecem que surtiram efeito. Segundo estudo realizado pelo ‘Centro para o Estudo das Mulheres na TV e Cinema’, da Universidade Estadual de San Diego, as mulheres representaram 29% dos protagonistas nos 100 filmes de maior bilheteria em 2016. Os números são considerados um recorde histórico na indústria, já que o valor é 7% maior do que no ano de 2015. Embora os números revelem que a comédia romântica continua sendo o gênero onde encontramos mais mulheres em papéis principais (28%), a indústria parece estar se movendo para a modificação desse quadro.

Em 2016, tivemos heroínas em blockbusters (‘A Chegada’ e ‘Rogue One: Uma História Star Wars’), mulheres em dramas marcantes (‘Elle’ e ‘Estrelas Além do Tempo’), e também em papéis marcantes na televisão (‘Westworld’ e ‘The Crown’), o que é uma grande vitória. Mas nem tudo são flores! O estudo também revelou que caiu em 2% o número de diretoras à frente de filmes de sucesso: apenas 7 % dos 250 filmes de grande bilheteria foram dirigidos por mulheres. E a coisa fica mais assustadora quando passamos para os outros setores da produção cinematográfica, como o de trilha sonoras, que empregou apenas 3% de profissionais femininas.

O caminho de mudança é árduo, principalmente porque a resistência dentro dos grandes estúdios ainda é enorme. Se olharmos o cinema independente, o quadro é bem diferente: segundo o site IndiWire, no Festival de Sundance 2017 por exemplo, 1/3 dos filmes exibidos foram feitos por mulheres. Mas isso não acontece na grande indústria, isso não acontece em Hollywood! Os grandes filmes, as grandes receitas são idealizados e realizados majoritariamente por homens, e não porque eles são melhores, mas porque eles são preferidos pela indústria. E nós precisamos falar sobre isso! Há muitas mulheres que escrevem sobre cinema e tv na imprensa especializada e em seus blogs pessoais, e trazer essa discussão é nosso dever!

A luta pelos direitos iguais precisa estar constantemente na pauta das discussões sobre a indústria cinematográfica. Em tempos de Trump e seus pensamentos e ações sexistas e segregacionistas, foi de grande simbolismo vermos a Meryl Streep, 2 anos depois de seu gesto eufórico para com o Patricia Arquette, subir ao palco do Golden Globes Awards e discursar contra o governo, celebrando as diversidades e valorizando a igualdade entre os todos.

Sejamos como elas, ativas, pensantes e que lutam com suas armas pela igualdade em todas as esferas da sociedade! A minha é a escrita, qual é a sua?