Conselho de um jovem velho

Certa vez, conversando com o meu velho sobre assuntos tão triviais quanto um cão latindo para o carteiro, e após algumas boas doses da caipirinha que só meu progenitor sabe fazer (mérito ao seu tempo como dono de boteco, quando meu velho não era tão velho), conversamos sobre algo que carrego como um pilar moral nas minhas decisões cotidianas, desde a mais boba, como escolher uma cueca, até as mais transcendentais, como… sei lá, coisas grandes.

Meu pai, que caminha para os 70, é um cara que já viveu muita coisa. Óbvio que todas as pessoas que estão beirando essa idade tem um bocado de histórias, mas o que me deixa fascinado é como as pessoas interpretam a própria história. E como sou muito parecido com meu pai (alguns dizem que sou a versão “Back to the Future” dele, onde eu sou o Martin McFly jovem, volto no tempo e encontro um cara idêntico a minha pessoa, ao invés do cara esquisitão do filme que era o pai do guri. Como se um fosse cover do outro), existe uma certa epifania da minha parte quando ele me conta algo com um moral por traz da sua fala. Eu realmente entendo!

Como um dejavu inverso, onde eu provavelmente chegaria a mesma conclusão que ele chegou, mas apenas daqui alguns anos. Então papai me da o gameshark disso e, quando for a minha vez, eu já saberei o que fazer. Eu acabo ganhando tempo, pois não preciso chegar algumas conclusões que, invariavelmente, eu chegaria. É como se ele fosse o eu do futuro, voltasse 50 anos e desse os macetes pra a vida, o universo e tudo mais (mas sem os números da loteria, é claro). Logo, vem uma certa responsabilidade: ele sabe que eu entendo o que ele diz, e acho que rola a expectativa de me ver se saindo bem nos paranaues da vida, e não errando onde ele errou.

O mais interessante é que apesar das formas diferentes, todos os pais querem que os filhos sejam melhores do que si próprios, e meu pai espera isso também.

Voltando ao pilar moral, a história em si não convém a vocês, mas o resumo da ópera é: se arrependa de ter feito as coisas, e não por não ter feito. Para quem me conhece, sabe que tenho meus quatro dentes do siso e toda a “sisudez” que eles trazem. A velha história, onde o cara pensa muito e deixa passar as coisas. É bastante parecido com o filme “Yes Sir” do Jim Carrey.

Pra quem não conhece, o personagem do Jim Carrey vive uma fase ruim na vida e decide ir em um culto de auto-ajuda, que tem por base dizer sim a qualquer coisa que lhe aconteça ou ofereçam. Ao seguir este preceito a vida de Carl começa a mudar, fazendo com que seja promovido e conheça Allison (Zooey Deschanel), por quem se apaixona. Mas aí tem umas partes que dão errado e tal, mas a essência é dizer sim pra coisas que aparecem. Carl (personagem do JC) vive coisas que não viveria se não tivesse mudado a sua postura. O cara deu a cara a tapa, vulgarmente falando.

E nós? Estamos fazendo isso? Daí vem o conselho do meu pai. É melhor você tentar e errar (pois aí vc aprende algo e fazer melhor na próxima, pelo menos), do que não tentar e se omitir. Vai que você esta deixando uma baixa chance passar?

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