Teodoro, o ratinho curioso

Era uma vez um ratinho chamado Teodoro. Teodoro vivia com sua família, na cidades dos ratos, uma cidade que vive bem abaixo da nossa, nos esgotos da cidade de São Paulo (mas ela é secreta e ninguém sabe onde fica, apenas quem vos escreve).

Todos na cidade dos ratos viviam bem e felizes, escondidos da superfície. Mas Teodoro, como qualquer personagem principal de qualquer história, era diferente.

Teodoro alimentava um desejo insaciável de ir para a superfície. Através do bueiro, que ficava acima da cidade dos ratos, Teodoro observava com paixão e curiosidade. Se fazia muitas perguntas sobre as coisas que poderiam ter lá em cima. E tentar pensar nas respostas só aumentava sua vontade de sair da cidade dos ratos e ver a superfície, como seus próprios olhos.

Pelo vão do bueiro, certa vez, ele viu o céu azul. E achou aquilo lindo!

Outra vez, pelo mesmo vão, ele viu a lua, branca e cheia, durante uma noite agitada na superfície. A lua, e o barulho da cidade, formando uma harmonia assíncrona, mas que trazia beleza em suas fantasias.

Mas, na cidade dos ratos, a superfície era um mistério perigoso e inacessível! Os ratos mais velhos falavam sobre monstros felinos, que miam e tem garras mais afiadas que do que lâmina de barbear, e armadilhas ardilosas dos homens, que matavam devagar e dolorosamente. De comidas envenenadas e todos os tipos de perigo.

Os pais de Teodoro, assim como todos os outros pais, proibiam seus filhos de irem para a superfície, devido aos perigos que ali habitavam.

Porém (assim como em qualquer história), Teodoro se cansou dos alertas que todos faziam sobre ele realizar o seu sonho: conhecer a superfície. Neste dia, Teodoro se preparou para escalar até o bueiro e sair dos esgotos. Sim, ele iria saciar a curiosidade que movia seu sonho. Iria buscar o que o coração dele mandava, sem se importar com os perigos que os outros diziam existir.

Ir atrás de respostas e buscar algo desconhecido, pois a curiosidade é o que move as grandes descobertas. Sentir algo que outros não sentiram, ver coisas que ainda não viu, aprender para poder ensinar. Não seria esse o propósito da vida?

Antes do sol nascer e iluminar a cidade dos ratos através da boca do bueiro, Teodoro saia de sua casa em direção ao seu maior sonho. Saiu quieto para não acordar seus pais e caminhou lentamente, sentindo cada passo com um prazer indescritível. Estava extasiado, entorpecido, ou como se estivesse apaixonado.

A cidade dos ratos ainda dormia enquanto caminhava. Era possível ouvir os sons da cidade que nunca dorme e que estava acima da cabeça de Teodoro. Buzinas, carros, gritos, som de freadas e apitos dos guardas de transito. Música para Teodoro, que ditava o ritmo do seu coração acelerado e ansioso, como um casal de namorados que só se vê aos finais de semana.

Escalou o conjunto de canos, fios, vigas e concreto com facilidade. A cada centímetro, mais feliz se sentia. Teodoro tinha tanto o que ver, tinha tantas perguntas e descobertas a fazer. Só de pensar que iria ver tudo aquilo com os próprios olhos, suas patas suavam.

Pensava em como seria bom ser aquecido pelo sol no próprio rosto, sentir uma brisa refrescante nos seus bigodes. Ver o sol se pondo no horizonte. Andar sem se esconder. E tudo isso cada vez mais próximos.

O sol estava nascendo quando Teodoro saiu. O tempo estava fresco, e o ar preencheu os pulmões de Teodoro. Não tinha cheiro de esgoto. Deu um passo e levantou a cabeça, para poder ver a ponta dos grandes prédios que compõe o centro da cidade. De mais um passo, sentindo o seu coração pular no peito. Suas patas tremiam, mas ainda firmes para sustentar o seu próprio peso e dar mais um passo.

Terceiro passo e acabou.

Um ônibus abarrotado de gente indo trabalhar passou por cima de Teodoro.

Dizem que a curiosidade matou o gato, mas o que impede de matar outras coisas, né? Neste caso, matou o rato também.

Se você tem perguntas, se prepare para respostas.

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