Dinossauros e uma camisa suja de terra.


“Nunca achei boa coisa a tal da,
escavação, 
a reconstrução,
das personas que não existem mais.
Nunca me vi assim, reestruturando ossos,
desde que larguei os dinossauros,
quando eu falava enrolado,
e dormia sorrindo.

Mesmo nunca achando boa, essas tais coisas,
continuei escavando,
por tempo.
Por um bocado de tempo,
por um tempo marcado,
na tentativa de escoar a areia que me afogava. Pra cima.

Não dá pra entender, certo?

Eu sei, é errado,
imaginar que eu nunca tenha gostado de reestruturar coisas já gastas.
Eu gostava.

Não mais.

É, eu venho superando o hábito, por mais que tu não acredite.

Mas abrir as feridas dos pés e das mãos causam uns pensamentos ruins, e uma aflição que eu não sei lidar.

Não sei lidar.

Eu amava dinossauros,
e hoje eu amo dinossauros,
acima do chão.

Noção a minha de que hoje eu existo por carne,
e não de ossos.
E por mais que pareça meio mórbido,

Esse texto.

Ele próprio é o caminho para uma reinvenção.

Que difere de reconstrução.

Entende?”

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