um desabafo sobre você

eu preciso escrever porque já estou tão sufocada por “isso” que não consigo mais manter dentro de mim.

desde que cheguei à minha cidade natal, eu tenho tentado estar bem, estar sã, alegre, estar acordada… sobreviver. bom, em resumo?

tudo me remete à você.

o que é completamente injusto porque, antes de você, eu tive 25 anos muito bem vividos nessa cidade. cultivei memórias, pessoas, vivi basicamente 25 anos sem nem encontrar você no meio da rua. pra ser mais exata, antes de você ser você, eu te encontrei pela vida 2x. nem bonita eu te achava. nem lembrava que tinha estudado na mesma sala de colégio que você durante um semestre inteiro. seria isso o que a gente chama de karma?

agora, todos os locais que penso em ir, analiso se vou te encontrar daí, me abstenho da saída, caso você esteja.

outra brincadeira idiota do destino foi eu passar um ano programando minhas férias calculadamente numa época que eu sabia que você não estaria aqui mas, uma semana antes de eu chegar, fico sabendo que sim, você também está passando suas férias aqui. automaticamente, sinto calafrios e, de feliz, passo a sentir dor física sempre que lembrava que estava a caminho de fortaleza, nossa cidade natal. a partir do momento que eu passo a saber da notícia que você estava aqui, eu entristeço, sinto leves ataques de pânico, me deprimo e isso vem acontecendo desde 1 semana antes de eu pisar aqui. tá com 12 dias que eu estou aqui e nada disso foi embora. só você.

sim, eu soube também que você foi embora.

um certo dia, no espigão da beira mar, eu exorcizei tantos demônios que, por um momento, eu desejei que você aparecesse ali. eu desejei com toda força do meu coração. por um momento, eu esqueci de toda dor. por um momento, eu voltei a te amar de novo. por um momento, eu senti (talvez pela última vez) o amor mais lindo, sincero, puro e genuíno que esteve dentro de mim desde o dia que eu te disse: “prazer, nathália”. por um momento também, eu vi você em outra pessoa. calafrio, medo e uma felicidade infinita que eu não sei explicar como mas, foi isso que senti. depois olhei de novo e não era você. era uma moça qualquer. alguém que eu sabia que não era você, mas desejei que fosse. por um momento, eu também vi a gente. eu visualizei toda a cena que aconteceria se ainda estivéssemos juntas: estaríamos no espigão nos divertindo como se não houvesse amanhã (porque éramos assim), rindo como se tudo que saísse da nossa boca fossem as palavras mais engraçadas do mundo. estaríamos tirando foto. bem… você. você adora foto. nos abraçaríamos com o maior carinho do mundo, nos curtiríamos, olharíamos dentro do olho uma da outra, falaríamos o mais sincero “eu te amo”. depois passaríamos um tempo olhando pro mar, pra paisagem, ainda abraçadas. andaríamos pelas rochas. você tiraria mais fotos. sentaríamos nelas e, você se encaixaria no meu colo (como sempre fez). abraçadas como se fôssemos uma só, curtiríamos mais daquele marzão todo na nossa frente. bom, depois iríamos tomar sorvete na 50 sabores.

por um momento, esse foi o meu momento. o único momento que, em pouco mais de 1 ano, eu não senti ódio de você. raiva. revolta por todas as mentiras que você cultivou, regou e assumiu pra si como modo de vida, em 4 anos de relacionamento.

eu tento nem perguntar o que foi real e o que não foi no nosso namoro, sabe? a única resposta que me basta, depois de muita terapia e luta psicológica, é que o meu amor foi real. that’s the only thing i can hold on to. o resto… eu simplesmente não sei. ah, uma coisa eu sei. sim, você também me amou. amou sim. depois de tudo que descobri, a única coisa que dá pra confiar, nos 4 anos que passei com você, é que o que eu consegui enxergar de verdade, nos seus olhos, foi seu amor.

eu precisei escrever tudo isso. colocar pra fora. não é nem 50% por cento do grito que tem aqui dentro mas, já ajuda. o que vai me incomodar até o dia que eu for embora e pisar aqui de novo é até quando uma cidade que nasci, cresci e me fiz gente por 25 anos, vai se resumir à você.

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