Estranhos

Chega a ser estranho como a gente se parece. No nome, nos hábitos, no jaqueta jeans e na cerveja bebida até a metade.

Nossa forma de dizer eu te amo, seguida sempre de um coração colorido (jamais um vermelho) e um sussurro pedindo pra ficar. Nossas mãos se encaixam de uma forma linda, mesmo que a sua seja muito maior. Nosso gosto musical, que já não sei dizer se é meu ou seu. Nossa forma de andar de roupão pela casa e a sua mania de parar na frente da porta do banheiro e colocar as mãos na cintura como um super-herói enquanto escova os dentes pra me fazer rir. Nossa forma de trocar carinho, com apenas uma passada de mão no cabelo. Ah, o seu cabelo… A sua forma de fazer me apaixonar por você com apenas uma careta, ou apenas dizendo o meu nome. A minha mania em me perder em seus olhos. A segurança que passa ao dizer que vai ficar tudo bem. A minha insegurança no amor. A sua certeza que o amor é lindo. A minha maneira de chorar em filmes de romance. Seu gosto por filmes de terror. Meu medo. A sua maneira de colocar todos seus amigos em uma chamada do Skype enquanto desesperadamente fecha um time naquele jogo que a gente joga. A minha falta de tempo pra jogar. A sua mania de estralar os dedos no meu ouvido pra me deixar arrepiada. Minha forma de esquentar seus pés com uma meia felpuda. A sua insistência em ficar sozinho durante uma briga e encerrar qualquer discussão com apenas um “tá bom”. Meu sentimentalismo em chorar com medo de ficar sozinha. A sua mania de mandar músicas e sumir. Meu medo de ficar sozinha. Essa sua coisa de não visualizar mensagem. Medo de ficar sozinha. A sua distância. Ficar sozinha. A sua maneira de dizer que tem outros planos. Sozinha.

Chega a ser estranho como a gente não tem nada em comum. Nem no nome, nem nos hábitos, nem na jaqueta jeans e na cerveja que você sempre toma inteira.

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