A autoestima é uma merda
Principalmente se você é uma mulher. É tão óbvio tudo isso, que nem sei se merece um texto.
Vamos pensar junto: você nasce mulher. Só isso basta para ter todas as expectativas impossíveis do mundo em cima de você. No caso, expectativas sobre coisas que realmente não importam. Você tem que ter um corpo bonito, ter interesse em manter esse corpo bonito a todo custo. Não basta só isso: você ainda tem que ser inteligente, antenada em todos os assuntos. Na real isso a sociedade não espera de você, mas de qualquer forma vira uma obrigação. Imagina o que essas pessoas vão pensar se eu não souber opinar com bons argumentos sobre qualquer assunto x? Vão achar que mulher é burra mesmo.
Ok, isso todo mundo sabe. Só ninguém sabe a luta interna que é para cada mulher superar essas expectativas e realmente aprender a se amar. Não, eu não preciso ser magérrima e nem ter peitão. Meu nariz não precisa ser arrebitadinho e nem meu cabelo é liso. Aceita. Eu aceitei.
Mas da mesma forma que eu batalhei para aceitar todas essas coisas (depois de anos até achando que uma cirurgia plástica no nariz seria uma boa ideia, por exemplo), bastam ações minúsculas para derrubar toda essa confiança. Basta levar um fora, ouvir um comentário maldoso ou uma indireta: a mulherona forte, Mulher Maravilha, se desmancha por dentro e coloca tudo em dúvida. E quando eu me dou conta disso, eu fico furiosa! FURIOSA. Comigo mesma. Pior que a autodepreciação, é o sentimento de ser uma péssima feminista e uma hipócrita.

Será que um dia a autoestima boa se concretiza de vez dentro de nós? Não sei. Sei que é um exercício diário de se olhar no espelho e perceber que eu não sou uma Mulher Maravilha, mas que sou incrível no que me é possível. Poxa, por que a opinião de uma pessoa totalmente aleatória seria mais importante que a minha própria, que me conheço desde sempre? Por que a ação de uma pessoa X me deixa chateada ao ponto de duvidar da minha capacidade? Assim não dá, né? Vamos melhorar. Imediatamente!
