peito pesado 1

conversava com uma amiga minha outro dia sobre como os clichês em relacionamentos são mais reais que outros, na vida. eles são feitos de histórias reais. ficamos pensando sobre “o silêncio que precede o esporro”, ou “a calmaria que precede a tempestade”, nos casos de término. não são raros os fins de relação que acontecem depois da “melhor semana” nos últimos anos. ou quando as pessoas terminam brigadas, voltam, passam um tempo felizes juntas, mas percebem que precisam se separar.

lembro que meu último relacionamento longo acabou dias depois d’eu pensar “nossa, que bom, estamos bem”. tinha rolado declaração de amor, carinho, companheirismo de um jeito que há muito não acontecia. essa amiga também passou por isso, recentemente, quando comemoravam mais um ano de casamento, numa viagem, o tempo parecia ter resolvido todos os conflitos e, enfim, estavam tendo paz e perspectiva.

mencionei aquele último suspiro antes da alma se desprender do corpo e partir para outra. muitos pacientes em coma têm melhora e, quando a família respira esperança, eles então descansam. parece que é um alívio necessário. como se acontecesse pra que boas memórias fiquem, apesar do luto e da dor.

é como se fosse um chão de algodão, em meio a uma queda brusca. um descanso, respiro para pegar mais ar e continuar a queda agressiva e lenta. continuar pelo vazio do peito pesado, feito bigorna invisível.