Acolhimento
Faço meditação, terapia, corrida. Leio Clarice Lispector, acompanho a Monja Coen e o Villy Fomin. Mas, às vezes, o que me cura dos medos, das falhas, dos tropeços, é sentar na frente do espelho e repetir: EU AMO VOCÊ. EU AMO VOCÊ. EU AMO VOCÊ! E TE PERDOO, E TE PERDOO. E TE PERDOO. Na próxima, a gente tenta de novo e faz diferente, tá certo? Tá tudo bem… viver é assim mesmo… maior do que a gente de vez em quando. Tem horas que não dá pé, tem horas que a gente mergulha quando é para boiar e afoga um pouco. E sendo raso, arranha o joelho e o cotovelo.
Mas tá tudo bem. Tá tudo bem. No fundo, tá todo mundo tentando, não tá?
E repito até meu coração concordar. E relaxar. Aí — só aí — me levanto, me olho com carinho nos olhos e pergunto: pronta para acertar e falhar mais um pouco? A resposta às vezes é dança, às vezes é um abraço com meus braços, às vezes é sorriso na frente do espelho. Mas sempre um sim! Daí, me dou um tapinha no joelho e digo feliz: boa garota!

ps: meu desejo para hoje e todos os dias é este: que a gente saiba sempre, sempre se acolher e “se celebrar” com tudo que é.
